Arquivo do autor:Nicolas Chernavsky

Sobre Nicolas Chernavsky

Meu nome é Nicolas Chernavsky, sou jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP), localizada no Brasil, e este é um sítio de informação e análise dos processos eleitorais em todos os continentes. São abordados os diferentes aspectos das eleições, como sistemas eleitorais, partidos políticos, candidatos(as), pesquisas de opinião, contexto geopolítico, qualidade do processo eleitoral, entre outros. Penso que, principalmente hoje em dia, estar consciente da política global é estar consciente da política local. Os movimentos políticos são globais, e é nas eleições que os povos do mundo podem influenciar fortemente seus governos. Assim, convido vocês a navegarem por este sítio sobre as eleições do mundo, usando também as listas de eleições por países e por datas no meu abaixo.

O ódio ao PT levou a turma de Cunha ao poder. E você ajudou.

Ao longo da história, este fenômeno sempre ocorreu: utilizando e fomentando o ódio a um determinado grupo, os setores mais conservadores da sociedade se colocam como alternativa a este grupo, e o povo, enfurecido contra tal grupo, aceita qualquer coisa no lugar. Qualquer coisa. É nesse ponto em que estamos. O Brasil está aceitando qualquer coisa no lugar do PT, assim como no início do século XX a Alemanha e a Itália aceitaram qualquer coisa que não fossem os socialistas.

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Bom, finalmente chegamos ao momento em que o progressismo vai ser substituído pelo conservadorismo no poder no Brasil. A questão é que não é qualquer conservadorismo que está chegando ao poder. Não é Aécio Neves. Não é Marina Silva. Não é alguém como o argentino Macri. Não é alguém que venceu uma eleição presidencial. Pelo contrário: é alguém que todo mundo, sem exceção, sabe que nunca venceria uma eleição presidencial. E quem vai ser vice-presidente e presidente da Câmara dos Deputados, consequentemente com imenso poder no governo federal? Eduardo Cunha, um dos políticos mais conservadores de todo o Brasil. Como o Brasil conseguiu essa “proeza”? A resposta é amarga e difícil de ser aceita como verdadeira por muita gente, mas que precisa ser dita, alto: a culpa foi do ódio ao PT.

Sim, nos últimos anos ficou chique caçoar do PT. Ficou chique criticar raivosamente o PT em público, por direita e por esquerda. Dizer que o PT se vendeu às grandes empresas, porque aceitava suas doações nas campanhas eleitorais. Claro que o fato do PCdoB e do PSOL também aceitarem dinheiro de grandes empresas em suas campanhas não os tornava também “vendidos”, porque o chique era falar mal só do PT. Afinal, a rede Globo não fala mal praticamente só do PT? “Vamos aproveitar e descer o cacete no PT que vamos ter o apoio de todo mundo em volta!”. Claro que foi um erro o PT aceitar doações de grandes empresas para suas campanhas. Mas o fato justamente do PCdoB e do PSOL também terem aceito mostra o quão avassaladora era essa tendência entre os setores mais progressistas do país.

“Ah, mas o PT fez aliança com os conservadores, se vendeu.” Alianças com os setores mais conservadores costumam ser necessárias na democracia. O tal Syriza, partido grego em geral muito querido por quem critica o PT à esquerda, a primeira coisa que fez após as eleições foi se aliar a um partido conservador para ter maioria no parlamento. E fez muito bem. Grande Syriza. Fez que nem o PT. Grande PT. Uma salva de palmas para o partido que fez uma revolução social no Brasil em 13 anos. Assim como foram necessários quase 40 anos entre o adeus ao governo de João Goulart em 1964 e a volta do progressismo ao poder com Lula, em 2003, vai saber quantos anos vamos ter que esperar agora.

Claro que o PT cometeu vários erros. Além de aceitar dinheiro das grandes empresas para as campanhas, houve esse total fracasso de abdicar de indicar o Procurador-Geral da República (PGR), e deixar que os concursados, e não os representantes democraticamente eleitos, escolhessem o PGR. Outro erro grave foi abdicar de escolher juízes necessariamente progressistas para o STF, em prol dos “tecnicamente melhores”, sabe-se lá com que critério, porque o juiz tecnicamente melhor é o que cumpre mais a lei, e quem cumpre mais a lei são os juízes progressistas. Mas esses erros são incomparavelmente menores do que o de quem diz que o PT é tão ruim quanto os partidos conservadores, como o PSDB. Mas é a vida, foi bom enquanto durou. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

O Dia do Bernardo

Chamo de “Dia do Bernardo” todos os dias em que há eleições primárias nos Estados Unidos com a participação de Bernie Sanders. “Bernardo” seria um aportuguesamento de “Bernie”. É verdade que o Brasil, nas próximas semanas, provavelmente vai deixar de ter um governo progressista e terá o ascenso de um governo conservador, mas há todo um mundo, mais além do Brasil, em que o progressismo está fazendo consideráveis avanços. Aliás, amanhã, terça-feira, é Dia do Bernardo.

Bernie Sanders é o "Bernardo"

Bernie Sanders é o “Bernardo”

A democracia pode perder qualidade, ou até ser derrubada em alguns países, mas tanto para o Brasil como para o mundo, o fortalecimento historicamente progressivo da democracia e sua consolidação como regime político hegemônico global, com seus altos e baixos, ainda é uma realidade. Por isso, nesse momento em que o Brasil passa de ter um governo progressista a ter um governo conservador, dar uma olhada para fora do Brasil ajuda a compreender melhor a situação em que vivemos. Pois afinal, não moramos apenas no Brasil, e sim também no mundo. Aliás, somos provavelmente mais influenciados pela soma resultante da situação política em todos os países do mundo do que pela situação política do país em que moramos. Pois vamos dar uma olhada então no famigerado próximo “Dia do Bernardo”.

Bernie Sanders organizou uma campanha eleitoral basicamente com doações de baixo valor vindas de muitas pessoas físicas. Isso é um exemplo a ser analisado por todos os(as) políticos(as) progressistas do mundo. Atualmente ele está cerca de 300 delegados eleitos atrás de Hillary Clinton na soma das primárias realizadas nos estados até o momento. Como são cerca de 4000 delegados eleitos no total, para o Bernie vencer a Hillary, ele precisa vencer, em média, por 65% ou mais todas as eleições primárias que faltam. Ou seja, está bastante difícil para o “Bernardo”, mas não impossível. Ele terminar pau a pau com a Hillary, mesmo perdendo por pouco, vai ser algo espetacular, dado que há pouco mais de um ano, aposto que praticamente ninguém que está lendo este artigo tinha ouvido falar de Bernie. E na população dos EUA, o grau de reconhecimento de seu nome não era tão diferente.

Uma das razões da atual derrota do progressismo no Brasil é que somente há espaço para uma vitória do campo progressista no Brasil de hoje se este campo aprender a financiar as campanhas eleitorais como Bernie financia, com muitas pessoas físicas doando cada uma um baixo valor. A demora para se conseguir isso será aproximadamente a demora para o campo progressista voltar a vencer no Brasil. Enquanto isso, resta torcer para Bernie e para todos(as) os(as) candidatos(as) progressistas que disputam eleições ao redor do mundo. Esse ano haverá eleições nos EUA, na Espanha, nas Filipinas, no Peru, na Zâmbia e por aí vai. E amanhã, é Dia do Bernardo! Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.