Arquivo mensais:outubro 2014

Após 38 anos de conservadorismo, progressismo chega a 16 anos

Desde o golpe de Estado de 1964 até o início da presidência de Lula em 2003, o país teve predomínio político conservador; com esta vitória de Dilma Rousseff, o progressismo alcança 16 anos contínuos de predomínio político no Brasil

Muito se falou nesta eleição presidencial sobre a disputa PT x PSDB, mas existe uma outra disputa mais influente que esta, na qual PT e PSDB são apenas os principais partidos de campos mais amplos. Trata-se da disputa entre progressismo e conservadorismo. Ao conservadorismo convém tratar somente da disputa PT x PSDB, pois assim o argumento da alternância compulsória de poder lhe serve; afinal, com esta vitória, o PT encabeçará com a presidência a coalizão progressista por 16 anos seguidos. Já a consciência da disputa entre progressismo e conservadorismo, do ponto de vista do argumento da alternância compulsória de poder, conviria, em um olhar mais superficial, ao progressismo, já que conservadorismo ficou 38 anos no predomínio da política brasileira (desde o golpe de Estado de 1964 até o início da presidência de Lula em 2003), enquanto que o progressismo está há muito menos tempo no predomínio da política brasileira, tendo conseguido agora uma vitória eleitoral que lhe permite chegar a 16 anos nesta situação.

Entretanto, uma análise mais profunda indica que a alternância compulsória de poder não é uma característica da democracia; o que é sim uma característica da democracia é a possibilidade eleitoral da alternância de poder. Assim, na democracia, periodicamente o povo tem essa possibilidade de alternar ou não a região do espectro político que encabeça o Estado. Assumir como desejável a alternância de poder (e não a possibilidade eleitoral de alternância de poder), levaria a uma redução da qualidade da democracia, pois os eleitores e eleitoras, independentemente de sua avaliação sobre qual setor do espectro político lhe parece mais progressista, podem se sentir compelidos a votar contra sua própria opinião, o que só pode favorecer o conservadorismo.

Portanto, mesmo que no curto prazo a ampliação da perspectiva histórica faça o argumento da alternância compulsória de poder favorecer o progressismo (pois seriam 38 anos contra 16 anos), no médio e no longo prazo este argumento favorece o conservadorismo, pois sempre chegará o momento em que o conservadorismo afirmará que o tempo de predomínio progressista já se igualou ao predomínio conservador anterior, e que portanto já seria hora de voltar ao predomínio conservador. Assim, vê-se que o argumento da alternância compulsória de poder é essencialmente conservador, o que vale inclusive para as tentativas de acabar com a possibilidade de reeleição e mesmo para a atual limitação no Brasil a uma reeleição para cargos executivos. A característica da democracia da possibilidade eleitoral de alternância do poder implica em que a alternância de poder deve ser apenas uma possibilidade eleitoral, cabendo apenas ao povo escolher se essa possibilidade se realiza ou não, em qualquer eleição e independentemente do número de mandatos cumpridos pela pessoa até o momento. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Existe uma eleição dentro de cada um de nós

A disputa entre progressismo e conservadorismo não ocorre só nas urnas, mas também dentro de cada pessoa; a maior consciência dessa disputa facilita ao progressismo, da candidatura Dilma, vencer o conservadorismo, da candidatura Aécio, dentro de nós

Desde o início dessa campanha eleitoral no Brasil, tenho escrito uma série de artigos, e a cada artigo que escrevo, percebo algo novo não só sobre a eleição, mas também sobre minha própria forma de encarar a eleição. Eu planejava escrever um artigo hoje de manhã, mas simplesmente algo estava faltando, e o tema não surgia, mas nesses casos eu sabia que durante o dia minha mente raciocinaria mesmo inconscientemente pra formar o tema deste artigo, e foi isso o que aconteceu. Aconteceram algumas coisas hoje que me fizeram perceber a importância do fato de que em todos nós há como uma “eleição interna”. Nós, sem exceção, não somos isentos de ter um componente progressista e um componente conservador, que disputam de uma forma análoga às candidaturas do polo progressista, com Dilma, e do polo conservador, com Aécio. Vou contar algumas situações que me ocorreram hoje pra ilustrar o raciocício.

Pelos meus artigos, não é segredo pra ninguém que votarei em Dilma Rousseff, sendo que tenho um adesivo de sua candidatura no vidro traseiro do meu carro. Hoje eu estava dirigindo o carro, e ao entrar em um balão, deveria ter esperado um carro passar para depois eu entrar, mas acabei entrando antes desse carro, e o carro buzinou reclamando. De fato eu havia errado, e depois fiquei me sentindo culpado porque a pessoa que buzinou poderia relacionar o meu voto em Dilma com o ocorrido no trânsito. Obviamente é algo pequeno e não haveria razão que justificasse meu sentimento de culpa. Por isso, decidi pensar de onde realmente vinha a importância que eu estava dando ao caso. Para isso, citarei outro fato que ocorreu ainda hoje.
Costumo ter uma certa resistência a ver o horário eleitoral na televisão. Uma das razões tem a ver com o fato de que nesse horário eleitoral o nível de profundidade política é, na média, relativamente baixo, mas esse motivo não é suficiente para eu não vê-lo, uma vez que o horário eleitoral tem bastante audiência e acaba influenciando consideravelmente a eleição. Assim, sei que há outra razão para eu ter resistência a vê-lo, que é uma certa dose de angústia de ver o horário eleitoral das candidaturas mais conservadoras. No caso, hoje, minha resistência a assistir o programa eleitoral na TV estava relativamente alta, tanto que à propaganda da candidatura de Aécio, que veio primeiro, praticamente não assisti, sendo que depois assisti à propaganda da candidatura Dilma. Fiquei pensando depois por que minha resistência a ver o horário eleitoral da candidatura Aécio estava especialmente alta hoje, e percebi que era a mesma razão que me fazia sentir culpado quanto ao episódio do carro. Essa razão é a seguinte.

Creio que tanto a culpa pelo episódio do carro quanto a resistência a ver o programa da candidatura Aécio se derivam do meu componente conservador, que apesar de ser mais fraco que o progressista, se manifesta nesse tipo de situação. No caso do carro, a culpa não vinha de talvez ter perdido o voto da pessoa que buzinou, mas sim da possibilidade de eu ter feito aquilo de propósito, inconscientemente, para prejudicar a candidatura Dilma. Da mesma forma, a resistência a ver o programa eleitoral da candidatura Aécio viria do medo de que ver o discurso da candidatura conservadora aumentasse a força na minha disputa interna do meu componente conservador. Assim, eu não tinha medo dos argumentos que vinham de fora, mas da aceitação do meu componente conservador desses argumentos. Quando percebi essa dinâmica, ou seja, quando tomei consciência desse processo, pude enfraquecer meu conservadorismo, e meu progressismo ganhou força na correlação de forças interna. Assim, tive mais facilidade para vencer as resistências a assistir ao último debate entre Dilma e Aécio na televisão.

Chego a este último artigo antes do segundo turno fazendo uma sugestão a vocês, ou seja, que tentem perceber a eleição presidencial com um conjunto de milhões de “eleições” que ocorrem no interior de cada pessoa, e por que não no interior de cada partido, sindicato, central sindical, empresa, ONG e todas as outras instituições. Entretanto, como quem vota são as pessoas, e não essas outras entidades, quero focar na eleição interna das pessoas. Para o progressismo vencer mais facilmente dentro de nós, precisamos admitir que temos um componente conservador. Aí, conseguiremos dialogar melhor com ele, internamente, e quem sabe, convencê-lo e trazê-lo para o lado do progressismo, ficando nós com isso mais completos e menos divididos. Se não for possível ser 100% progressista, pelo menos sejamos o máximo possível, o suficiente para votar no polo progressista dessa eleição, representado pela candidatura Dilma. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Com Lula e Dilma, o Brasil está virando um país de classe média

A maioria dos eleitores e eleitoras se acostumou a pensar no Brasil como um país pobre, já que de fato o foi por séculos; isso está mudando, e é essa transformação do Brasil em um país de classe média que está em jogo no domingo

No noticiário e na linguagem sobre questões internacionais, é muito comum que se usem as expressões “países pobres” e “países ricos”. É verdade que os tais “países ricos”, se forem olhados de perto, vê-se que são países com uma enorme proporção de classe média, e pouca pobreza. Ou seja, em relação a sua população, são países de classe média. Portanto, questiono que o termo “país rico” seja usado para um país em que a imensa maioria das pessoas é de classe média. Entretanto, não questiono o termo “país pobre” para um país cuja maioria das pessoas é pobre. O Brasil, ao longo de séculos, foi de fato um país pobre. O que os governos Lula e Dilma estão fazendo com o Brasil é simplesmente transformá-lo em um país de classe média. Quem sabe o Brasil não pode se tornar o primeiro país a se assumir como um “país de classe média”?

No próximo domingo teremos eleições presidenciais no Brasil. A candidatura Dilma é a candidatura do polo progressista, que vai continuar o processo de transformação do Brasil de um país pobre em um país de classe média. A candidatura Aécio é a candidatura do polo conservador, que se vencer tende a interromper esse processo de transformação, com o Brasil correndo o risco de não se tornar de fato um país de classe média. É isso o que vamos decidir no domingo. Queremos viver em um país pobre ou de classe média? Queremos andar pelo país e ver bairros sem infraestrutura, com esgoto a céu aberto e pessoas passando fome? Ou queremos andar pelo país e ver a população morando em casas ou apartamentos de qualidade, com comida na mesa? Queremos ir a aeroportos e só ver descendentes de europeus? Ou queremos ir a aeroportos e ver descendentes de europeus, de africanos e de povos pré-colombianos, entre outros? Queremos que uma parte da população tenha carro e a maioria tenha um péssimo transporte público? Ou queremos que todos tenham um bom transporte público e que o carro seja só um complemento acessível a todos? Queremos o Brasil do passado ou o Brasil do futuro? É nessa ponte que estamos agora. Vamos em frente?

A candidatura Aécio tem como “argumentos” básicos o ódio ao PT e a qualquer entidade que ajude o povo a se organizar, e a suposta capacidade de sedução do candidato, que fala sem se prender à realidade concreta, e sim àquilo que se adapta à fantasia que quer que os eleitores e eleitoras acreditem. A candidatura Dilma tem como argumento básico que o processo de grande melhora nas condições de vida do povo que ocorreu nos últimos 12 anos tem que continuar, com mais Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, Pró-Uni, Ciência sem Fronteiras, Brasil Sorridente, Farmácia Popular e tantas outras iniciativas que melhoram a vida dos mais pobres e da classe média, com o aumento do poder de compra dos salários, a redução do desemprego e o crescimento da formalização da economia. É bom dizer que os ricos em geral não perderam dinheiro nos governos Lula e Dilma, e sua renda inclusive aumentou, mas aumentou menos que a dos pobres e da classe média. Ou seja, ficaram menos ricos em relação aos pobres e à classe média, e é isso o que pode causar um certo incômodo nos setores mais abastados. Mas é disso que se trata a mudança de padrão civilizatório que estamos passando, de superar as estruturas arcaicas do Brasil como país pobre para continuar conquistando o nosso Brasil de classe média. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Tem gente que gosta do governo e não gosta da Dilma

Apesar de ser um tema delicado, é preciso trazer à luz a existência desse tipo de eleitor(a), que não é antipetista, aprova o governo federal mas tem resistências à personalidade da Dilma

Outro dia eu estava conversando com um conhecido e puxei o assunto das eleições presidenciais, até porque faltam só 10 dias para as eleições e creio que é muito importante o debate. Perguntei em quem ele ia votar, e ele me disse que toda a sua família ia votar na Dilma, mas que ele ia votar no Aécio. Fiquei curioso sobre o porquê, e perguntei se ele não achava que a pobreza tinha caído muito mais rapidamente nos governos Lula e Dilma do que no governo FHC, se ele sabia que o Brasil tinha finalmente saído do mapa da fome, que o Aécio tinha sido presidente da Câmara de Deputados na coalizão do governo FHC, que 43 milhões de pessoas tinham subido da pobreza para a classe média e 36 milhões tinham saído da miséria nos governos Lula e Dilma, enfim, comentei o que pra mim são argumentos importantes pra se votar na Dilma e não no Aécio. Aí ele me disse que de fato o governo estava bom, que ele não tinha nenhuma rejeição pelo PT, que inclusive sempre tinha votado no PT, e que se o fosse o Lula votaria nele. Aí eu comecei a desconfiar de um motivo para ele não votar na Dilma. Perguntei: “Você não gosta da Dilma, né?”. E aí ele admitiu que era isso mesmo, ele tinha uma certa antipatia pela pessoa da Dilma.

Fiquei pensando, depois, como a decisão sobre qual coalizão vai assumir a presidência, com centenas de milhares de postos em ministérios, agências reguladoras, empresas estatais, etc., poderia ser afetada pela empatia pessoal que a candidata, no caso Dilma, tem com parte do eleitorado. Eu pessoalmente escolho a candidatura pelo grau de progressismo que ela tem, ou seja, como ela se coloca no espectro político progressismo-conservadorismo. A eventual empatia que eu tenha com o candidato ou candidata tem até sua pequena influência, mas o fato é que pra muita gente tem uma enorme influência. Talvez isso tenha a ver com o fato de que existe uma forma de votar na qual a pessoa não necessariamente quer avaliar programas, projetos, propostas, histórico de realizações, gráficos, indicadores, e coisas assim, mas sim votar em uma pessoa que ela possa confiar e deixar o poder do Estado a cargo dela. Pode-se argumentar que é uma forma um pouco superficial de se votar, mas acho que é relativamente ampla a proporção de pessoas que votam bastante segundo esse parâmetro. Nesse aspecto, uma parte do eleitorado que avalia bem o governo federal pode acabar votando em Aécio, bem falante e sedutor.

E qual é então o objetivo deste artigo, ao trazer à luz este fato? Creio que é ajudar a que quem realmente tem uma certa antipatia pela pessoa da Dilma possa dar a esse aspecto o peso proporcional à influência que isso teria na atuação do Estado, se levarmos em conta que se Aécio vencer teremos um governo conservador, como todas as extensas consequências que isso teria para o povo brasileiro e latino-americano. Não quero deixar a impressão aqui de que eu mesmo não tenho simpatia por Dilma. Gosto da Dilma como pessoa sim, e sabem por quê? Porque é uma pessoa que foca nos resultados para o povo, foca na influência que aquilo que ela faz vai ter para o povo. Isso é algo difícil de conseguir, pois muitas vezes os políticos acabam tomando decisões que fazem sentido no seu ambiente político, mas que não são a melhor decisão para o povo. E eu gosto dessa objetividade da Dilma, que consegue inclusive não transparecer ódio por seus adversários políticos, o que talvez seja sua qualidade pessoal mais admirável, pois vamos ser claros, Aécio parece ter muito mais ódio por Dilma do que Dilma por Aécio. Quem vê os debates percebe isso claramente. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Eu quero um governo progressista para o Brasil! Vamos Dilma!

Lá no fundo, todos sabemos qual é a disputa que vale a pena vencer, a do progressismo sobre o conservadorismo; todos temos um pouco dos dois, mas Dilma aglutina o progressismo, e Aécio, o conservadorismo

Hoje eu estava pensando sobre qual assunto escrever o artigo. Aí escrevi um post no Facebook em que eu dizia: “Eu quero um governo progressista para o Brasil!”. Pronto, achei o tema do artigo. Gente, existe uma bússola pra todas as disputas eleitorais no mundo, não importa em que país, estado ou cidade, que nos indica qual é a candidatura a cuja vitória devemos dedicar nossos corações e mentes. Nós, seres humanos que atravessamos eras glacias, superamos nossa fraqueza física com a força da mente e chegamos às estrelas, temos o progresso entranhado no nosso DNA. Se dependesse do conservadorismo ainda estaríamos em algum estágio ancestral de nossa evolução. Por isso, não tenho dúvidas sobre qual é a minha bússola nessas eleições. Liberdade, igualdade, fraternidade! O lindo lema da Revolução Francesa tão celebrada pelo fantástico Victor Hugo (leiam “Os Miseráveis”, por favor) não me permite descansar enquanto Dilma Rousseff não vencer Aécio Neves nesse segundo turno presidencial. Vamos progressismo!

Por que Dilma é a candidata do progressismo? Nos governos Lula e Dilma 40 milhões de pessoas saíram da pobreza e subiram para a classe média. Além disso, 36 milhões de pessoas saíram da miséria. Finalmente saímos do mapa da fome da ONU. Quem viveu ou estudou o governo FHC, do PSDB, de cuja coalizão Aécio foi presidente da Câmara dos Deputados, sabe que a ascensão social não era nem de longe comparável. A queda da desigualdade não era nem de longe comparável. O aumento do salário mínimo era muito mais lento. Quando FHC deixou o governo, o desemprego era mais do dobro do que é agora, e o Brasil não tinha liberdade pra fazer sua política econômica porque tínhamos pedido um enorme empréstimo ao FMI, que por isso podia ditar o que fazer por aqui. Aécio fala do Plano Real, que foi feito no governo Itamar Franco. No primeiro governo FHC, a inflação ficou controlada, mas o resto do governo em geral foi ruim. E o segundo governo FHC, que começou já com a inflação controlada, teve resultados ainda piores, como a falta de energia elétrica, além de todos os outros problemas citados acima. Não que os governos Lula e Dilma tenham sido um mar de rosas, mas não tem comparação. Ou tem.

O conservadorismo fica repetindo a história do mensalão, mas hoje, nove anos depois, vemos claramente que em relação àquelas acusações não existiu mensalão, nem desvio de dinheiro do Estado, e sim caixa dois. A imensa maioria de tudo o que o PT e o governo foram acusados naquele episódio não se verificou verdadeiro, naquilo que foi talvez o assunto mais investigado da história do país. O que sim houve foi uma espetacular atuação da Polícia Federal nos governos Lula e Dilma, com 2.226 operações e 24.881 presos, enquanto que no governo FHC, da coalizão liderada pelo PSDB da qual Aécio era membro influente, foram 48 operações e 536 presos. Vejam de novo os números. Não tem comparação, de novo. Ou tem.

Sem falar na incrível descoberta do Pré-Sal, com posterior estabelecimento do marco regulatório e início da produção dos governos Lula e Dilma. O Pré-Sal desperta cobiça em todo o mundo, o que explica parte dos interesses mundiais na eleição brasileira. A aprovação do Marco Civil da Internet também é algo a ser comemorado intensamente pelo progressismo brasileiro, pois tornou o Brasil referência mundial pela democratização da gestão da Internet, que hoje é basicamente gerida pelos Estados Unidos, sendo que Edward Snowden e seus decumentos já mostraram que isso não parece uma boa ideia.

Gente, o Brasil, digam ou não os meios de comunicação conservadores do país, é hoje uma superpotência diplomática, que está perto de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e está organizando uma das iniciativas mais importantes da geopolítica mundial, a estruturação econômica, financeira e política do grupo BRICS, além de ter sido fundamental para a criação do G-20. O Brasil vem conseguindo em seguidas votações eleger seus indicados para liderar algumas das maiores instituições mundiais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a FAO/ONU, pois recebe votos em massa especialmente dos países mais pobres de todo o mundo, que enxergam no Brasil essa superpotência diplomática que causa desespero em quem ainda gostaria que o Brasil fosse um anão diplomático. Essa eleição entre Dilma e Aécio provavelmente será apertada, então cada voto conta. Vamos lá, juntos, fazer o progressismo vencer o conservadorismo nesse segundo turno. A hora é agora. Tod@s na rua e nas redes! Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Houve exageros, mas vitória de Aécio puniria principalmente o povo

É verdade que o campo de apoio a Dilma, inclusive a própria presidenta, exageraram nas críticas a Marina, mas a punição não pode recair sobre o povo em geral com um governo Aécio, que reduziria menos a pobreza e a miséria que um segundo governo Dilma

Em uma eleição presidencial há muita coisa em jogo, e as pessoas são expostas a tensões fortíssimas, pelas enormes consequências que a eleição terá para milhões de pessoas. Imaginem então a que pressões psicológicas são expostas as pessoas que lideram as candidaturas com mais chances de vitória, inclusive as candidatas e candidatos? Mesmo as pessoas que não são próximas aos partidos e às candidaturas mas que se importam muito com o resultado da eleição ficam nervosas, por todo o país, o que é óbvio nas redes sociais. Por isso, apesar de toda essa tensão, creio que temos que ter um pensamento para nos guiar nos momentos de maior tensão que é pensar em qual é a consequência para o povo brasileiro, para as cerca de 200 milhões de brasileiras e brasileiros, das ações que tomamos.

Vou tentar ser bem direto no que quero expressar. Por mais que o campo de apoio a Dilma tenha ficado muito nervoso com a possibilidade de Marina passar ao segundo turno e vencer Dilma, e por mais que essa parte do espectro político brasileiro, inclusive a presidenta Dilma, tenha exagerado nas críticas e na avaliação negativa do significado da candidatura de Marina, uma reação exagerada a isso por parte do campo de apoio de Marina e de suas lideranças pode levar a que quem seja principalmente punido seja o povo. O ritmo de redução da miséria e da pobreza tanto nos governos Lula quanto no governo Dilma foram muito superiores ao ritmo de redução da miséria e da pobreza no governo liderado pelo PSDB, na presidência de Fernando Henrique de 1995 a 2002, sendo que nessa coalizão de Fernando Henrique, Aécio era elemento muito influente, sendo inclusive presidente da Câmara de Deputados nos anos finais do mandato de Fernando Henrique.

Creio que, por isso, para que a razoabilidade possa ser reforçada neste momento eleitoral, o que é difícil pelas altas tensões em jogo, o campo de apoio a Dilma, e a própria presidenta, poderiam reconhecer publicamente os excessos nas críticas a Marina que ocorreram durante o primeiro turno, resguardando, é claro, seu direito de discordância política, até porque o exagero da crítica é uma característica que favorece os setores mais conservadores do espectro político. Eu mesmo, por exemplo, acho que exagerei um pouco nesse sentido. É preciso mostrar a Marina, ao seu entorno político e a suas eleitoras e eleitores que esse exagero foi, de verdade, percebido em geral pelo campo de apoio a Dilma e pela presidenta. Creio que essa atitude permitiria que o campo de apoio a Marina pudesse perceber mais claramente que é o povo, milhões de mulheres e homens deste Brasil, especialmente os mais frágeis, que seriam punidos com a vitória de Aécio e do PSDB, que é a candidatura preferida da grande maioria dos setores mais conservadores do espectro político brasileiro, dos meios de comunicação mais conservadores do país e das forças internacionais mais conservadoras a nível mundial neste segundo turno.

Quero terminar esse artigo, novamente, com um apelo para que todos os lados dessa disputa eleitoral, especialmente o campo de apoio de Dilma Rousseff e a própria presidenta, que teve 41,5% dos votos no primeiro turno, o campo de apoio a Marina e ela própria, que teve 21,3% dos votos e que é uma personalidade importantíssima nesse segundo turno, e por que não, o campo de apoio de Aécio Neves e ele próprio, que teve 33,5% dos votos no primeiro turno, e que é gente como a gente (quem não tem amigos conservadores?), com seus defeitos e suas virtudes, possam pensar no que é melhor para os mais de 200 milhões de seres humanos que vivem no Brasil, e tentar colocar isso como prioridade em relação às relações pessoais, desentendimentos e mesmo injustiças a que tenham sido expostas e expostos. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Dilma x Aécio; Lula x FHC; Jango x ditadura; Juscelino x UDN; etc.

A história mostra que mais além de partidos políticos, a principal disputa na política é entre progressismo e conservadorismo; no dia 26, o Brasil vai decidir se continua a arrancada rumo ao futuro que começou em 2002 ou se a interrompe, como aconteceu em 1964

Finalmente chegou a hora. Depois de uma abrupta guinada para o conservadorismo em 1964, gradualmente o Brasil conseguiu sair das trevas para chegar à predominância do progressismo a partir da eleição de Lula em 2002. Nestes 12 anos, o Brasil conseguiu avanços extraordinários, como retirar 36 milhões de pessoas da miséria e ascender 40 milhões de seres humanos para a classe média. Saímos do mapa da fome no mundo. Reduzimos o desemprego à metade com aumentos consideráveis de salários. Estamos conseguindo realizar o sonho de muitas gerações de brasileiros. Estamos deixando de ser um país pobre e virando um país de classe média! Não era isso o que queríamos?
Já houve outro momento assim. Entre 1945 e 1964, finalmente tivemos um período duradouro de democracia no Brasil. Ao longo destas duas décadas, passando pelos governos de Dutra, Getúlio, Juscelino e Jango (com alguns meses de Jânio antes deste) gradualmente as forças progressistas foram conquistando mais e mais votos, inclusive no parlamento nacional. Getúlio criou a Petrobras, Juscelino criou Brasília e Jango impulsionava as reformas de base. O Brasil era uma das maiores democracias do mundo. Mas isso acabou em 1964, quando o governo dos Estados Unidos, junto com os setores mais conservadores do Brasil, inclusive nos meios de comunicação e nas Forças Armadas, organizaram um golpe de Estado que acabou com a democracia e instaurou a predominância do conservadorismo no país que só veio a ser vencida com a eleição de Lula em 2002, depois de um crescimento do progressismo através do movimento pelas Diretas Já, da Constituição de 88 e do crescimento eleitoral dos partidos mais progressistas.

Chegamos a 2014, quando o conservadorismo apresenta um candidato sedutor, com boa lábia, talvez até simpático pessoalmente, mas que traz a carga da história às suas costas, com décadas sendo um elemento central no espectro mais conservador da política brasileira. Aécio foi presidente da Câmara de Deputados durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, na coalizão conservadora liderada pelo PSDB que governou o Brasil entre 1995 e 2002. Em 1994, o presidente Itamar Franco havia implementado o Plano Real, que estava controlando a inflação, e como Fernando Henrique Cardoso era ministro de Economia de Itamar, acabou surfando no fim da inflação e se elegendo presidente em 1994. De 1995 a 2002, apesar da inflação ficar controlada, o país assistiu ao aumento vigoroso do desemprego, com a venda a preços baixíssimos de inúmeras empresas estatais, inclusive de grande parte das ações da Petrobras. Do ponto de vista da redução da pobreza, o país caminhava lentamente, endividando-se exponencialmente em relação ao PIB e tendo que apelar a um empréstimo de grande valor do Fundo Monetário Internacional (FMI), que reduziu fortemente de maneira temporária a liberdade do Brasil para escolher sua política econômica.

Quando Lula venceu as eleições em 2002, iniciou um extraordinário esforço de comércio exterior, multiplicando nosso saldo comercial e reconquistando aos poucos a nossa liberdade para decidir nossa política econômica, ao devolver ao FMI o dinheiro que este havia emprestado. Ao mesmo tempo, o governo Lula colocou o Estado para aliviar o sofrimento de dezenas de milhões de pessoas que não tinham o suficiente para comer e viviam na miséria, enquanto diminuía o desemprego e aumentava o salário mínimo. A Petrobras aumentou exponencialmente de valor e a Caixa Econômica Federal passou a permitir a muito mais brasileiros e brasileiras ter uma casa própria, pois o volume de empréstimos habitacionais também se multiplicou. Um turbilhão de ascensão social tomou conta do Brasil, elevando para a classe média 40 milhões de pessoas, tirando o Brasil do mapa mundial da fome e tornando nosso país uma esperança para o mundo, que sofreu com a crise econômica mundial de 2008 e olhava para o Brasil tentando entender como nosso país passou pela crise gerando empregos e distribuindo renda.

O governo Dilma manteve a coalizão política e os princípios norteadores progressistas do governo Lula, com o aprofundamento da redução da miséria e da redução do desemprego, e a continuação do aumento da renda das famílias, mesmo com o crescimento do PIB sendo atingido pela maior crise econômica mundial em mais de 80 anos. Com Dilma, o Brasil protegeu a liberdade na Internet aprovando um marco legal para o setor que abre caminho para que o mundo crie instituições democráticas para gerir a Internet, para que ela não continue basicamente sendo gerida pelos Estados Unidos e alguns países próximos. Com Dilma, a Petrobras começou a gerar bilhões, que se tornarão trilhões de reais, para que o Estado democrático brasileiro possa investir naquilo que a sociedade ainda não consegue fazer sem ele, que é garantir o acesso a todos ao conhecimento em escolas e universidades, um atendimento à saúde para todos de boa qualidade, empréstimos para compra de casas e apartamentos, avanços na ciência e tecnologia, assistência emergencial a quem estiver na miséria e não tiver o que comer, crédito e seguro para a produção agrícola, policiamento e segurança pública, proteção do meio ambiente e tantas outras áreas.

Nossa democracia nos dá a maravilhosa possibilidade de somente eleger uma presidenta ou um presidente se esta ou este tiver mais de 50% dos votos, diferentemente de muitos outros países em que os sistemas políticos permitem que um chefe de governo chegue ao poder com 35% ou 40% dos votos. Assim, Dilma e Aécio disputarão essa maioria. O progressismo e o conservadorismo disputarão aos olhos da história, e os olhos da história somos nós. Junte-se à jornada daqueles que acreditam na Humanidade. Vamos progressismo! Vamos Dilma! Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.