Arquivo mensais:janeiro 2015

Syriza pode virar a página da era pós-guerra na Europa

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a Europa percorreu um caminho que a tirou das trevas da destruição e a devolveu à civilização humana, mas esse caminho acabou; agora, essa península da Ásia que foi tão influente no mundo nos últimos cinco séculos precisa virar a página da “reconstrução” do pós-guerra e iniciar a página da integração não-autoritária com o resto do mundo, e a vitória do Syriza na Grécia pode ser o estopim desse processo

Observando-se a história da democracia europeia, pode-se fazer uma distinção bastante clara entre alguns movimentos políticos recentes, como o Syriza, na Grécia, e o Podemos, na Espanha, e os outros movimentos políticos que algumas vez tiveram chances reais de liderar o governo de um país europeu. Uma vez que a Grécia vai ter eleições parlamentares neste domingo, não há melhor momento para analisar estes movimentos do que agora, até porque há grandes chances do líder do Syriza, Alexis Tsipras, ser o novo primeiro-ministro grego, e com maioria absoluta de seu partido no parlamento.

Que ideia está por trás do Syriza e do Podemos? Lá no fundo, o que caracteriza estes movimentos políticos? Sim, é verdade, ambos são canalizados por líderes supercarismáticos, como Alexis Tspiras e Pablo Iglesias. Mas estes líderes são justamente canais para algo mais, para uma ideia. Que ideia é essa? Para responder a essa pergunta é preciso olhar um pouco mais atrás no tempo, ainda mais atrás do que a Segunda Guerra Mundial. Aliás, bem mais atrás.

Nos últimos cinco séculos, a Europa dominou o mundo. Mesmo que há algumas décadas os Estados Unidos tenham assumido o protagonismo nesse papel, este país tem uma fortíssima influência europeia (apesar de que, de fato, há diferenças importantes com a Europa). Assim, com o fim do domínio árabe na península ibérica e o início de um período em que a China passou a ter um perfil mais baixo no panorama global, a Europa, especialmente a partir do século XVI, assumiu o protagonismo mundial. Hoje vivemos a volta da China como potência mundial de primeiro nível, além de outros movimentos de médio prazo em relação à ascensão da Índia e da América Latina (sendo que esta última não deixa de ter forte influência europeia, assim como os Estados Unidos). O fato é que, geograficamente, o fim do domínio europeu do mundo vai ficando óbvio. A península da Ásia que interessantemente é considerada por muitos um continente precisa aceitar essa realidade, aliás, muito bem-vinda.

Mas e quanto às pessoas que moram na Europa? Como elas estão lidando com esse processo? Até o surgimento de movimentos como o Syriza e o Podemos, parecia não haver uma liderança política na Europa que entendesse este processo suficientemente. Os líderes europeus em geral ficavam discutindo como a Europa poderia sair da crise econômica e social em que se encontra sem falar do fato de que os lucros advindos do domínio do resto do mundo fluem cada vez com menos intensidade relativa para a península. Um símbolo desse processo foi que um país europeu, pertencente à União Europeia e à Zona do Euro, a Grécia, foi tratada pela própria Europa da forma que estava reservada às regiões do mundo dominadas. Foi a gota d’água: a Europa percebeu que o ciclo da dominação do mundo se esgotou, já que a Europa começava a “dominar” a própria Europa!!!

O Syriza, sob a liderança de Alexis Tsipras, tem condições de ser o estopim para um movimento de larga escala na Europa, no sentido da ascensão de governos que implementem uma nova relação da Europa com o resto do mundo, não mais de dominação, mas de integração muito mais igualitária. Só isso poderá tirar a Europa da crise econômica e social atual, permitindo que a península colabore com o resto do mundo no sentido de construir um sistema econômico mais adaptado ao desenvolvimento tecnológico da humanidade neste século XXI. Bem-vinda, Europa, a um novo tempo rumo ao futuro, com novos líderes, como Alexis Tsipras. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Sobre tremores e terremotos eleitorais

Vale a pena gastar alguns minutos procurando no YouTube falas de Ed Miliband e Elizabeth Warren; se os dois se elegerem (Miliband primeiro-ministro do Reino Unido e Warren presidenta dos Estados Unidos), o mundo ganhará alguns presentes para sua política

Miliband-Warren

Hoje resolvi escrever inspirado no estilo do Miguel do Rosário, do blog “O Cafezinho”. Vi que ele, no Cafezinho, muitas vezes escreve textos que dão a impressão de que ele está escrevendo de uma forma livre, com uma sequência de pensamentos e argumentos que vão se encadeando um atrás do outro, e que para o leitor são muito agradáveis. Digo isso porque eu estava hoje pensando sobre o que escrever neste meu blog, o culturapolitica.info, e pra falar a verdade eu tinha de fato um monte de assuntos interessantes para abordar, mas eu não conseguia encontrar a “forma” suficientemente interessante de construir o texto. Aí, pra espairecer, resolvi ler O Cafezinho.

Enfim, pensei em escrever sobre algumas eleições que me parecem bem influentes. São eleições sobre as quais pesquiso praticamente todos os dias, pelo prazer de estar informado sobre acontecimentos que, depois, são encarados como “surpresas”, mas que não são surpresas se você já vem acompanhando há anos. Lembro que isso aconteceu com a eleição do Obama, uma “surpresa”. Uns três anos antes da eleição lembro que achei a história de que o tal Obama podia ser candidato a presidente. Na hora em que vi um discurso dele, ganhei convicção de que havia ali um terremoto político à vista. E foi o que aconteceu. Agora, há uma série de tremores à vista no cenário eleitoral internacional, e um terremoto. Um tremor de consideráveis proporções é a possível eleição como primeiro-ministro de Ed Miliband no Reino Unido. Tomem alguns minutos e entrem no YouTube para ouvi-lo falar. Vão ver que o que está para ocorrer no Reino Unido é uma dessas maravilhas com que a democracia nos presenteia de vez em quando. Mas vai depender dos britânicos, é claro, especialmente no sentido de que terão que perceber que seu sistema eleitoral, ao ser distrital uninominal sem segundo turno, não comporta que se vote simplesmente em quem se gosta mais, pois aí pode vencer um(a) candidato(a) com 20% dos votos. Enfim, vamos esperar, as eleições são no começo de maio desse ano de 2015.

O terremoto que pode vir na política mundial tem como epicentro os Estados Unidos, como em 2008. Hoje é fácil dizer que a eleição de Obama não foi um terremoto, mas foi, não só porque ele é mulato, mas principalmente porque venceu Hillary nas prévias, fazendo um governo bem mais progressista do que Hillary faria e estabelecendo novas bases históricas para o padrão de arrecadação de recursos de pessoas físicas para as eleições no país (e no mundo, porque o exemplo de arrecadação de Obama foi avassalador). Bom, e qual é o terremoto então? Chama-se Elizabeth Warren. Quem gosta de política, gaste um tempinho ouvindo os discursos dessa senadora dos Estados Unidos. Ela está construindo um movimento popular de dar inveja a qualquer país do mundo. E o mais legal é que ela é considerada a candidata dos progressistas estadunidenses, quebrando aquele pouco produtivo espectro “conservadores-liberais” e estabelecendo o real espectro político, o de “conservadores-progressistas”. O sistema eleitoral dos Estados Unidos é muito particular, e nele, o primeiro turno é um ano antes do segundo. Por “primeiro turno” me refiro às prévias nos partidos democrata e republicano. Assim, o primeiro turno das eleições presidenciais nos Estados Unidos começa em janeiro do ano que vem, daqui a um ano, e se estende por alguns meses do primeiro semestre de 2016. Se Warren entrar na disputa, vai ser a grande adversária de Hillary Clinton, como Obama foi em 2008, nas prévias democratas. Entretanto, pode ser que Warren tenha uma estratégia diferente de Obama, que lançou sua pré-candidatura com bastante antecedência. Warren, que assumiu seu primeiro mandato como senadora há cerca de 2 anos, parece não querer assumir uma pré-candidatura à presidência com tão pouco tempo de mandato como senadora. Assim, ela está exercendo de fato seu mandato como senadora de uma forma tão ativa e eficiente que isso pode acabar sendo uma “campanha” mais eficaz do que se ela realmente se dedicasse às típicas atividades de campanha. Olho na democracia estadunidense, porque ela influencia bastante o mundo inteiro, inclusive o Brasil (na verdade, especialmente o Brasil). Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Vamos criar o Partido Progressista do Mercosul?

Em 2015 entra em vigor a proporcionalidade atenuada no Parlamento do Mercosul, com Brasil com 75 assentos, Argentina com 43, Venezuela com 33, Paraguai com 18 e Uruguai com 18, impulsionando a integração política rumo a este novo país que está nascendo, pouco a pouco, pelas mãos da democracia; Argentina e Paraguai já têm eleição direta de parlamentares, sendo que até 2020 todos os integrantes devem ter eleições diretas

Fonte: Nasa

Fonte: Nasa

Nos últimos anos, com a formação da Aliança do Pacífico, a expansão e consolidação do Mercosul foram colocadas em questão, havendo a impressão de que os dois blocos seriam de alguma forma concorrentes. O grande problema desse tipo de avaliação é que não leva em conta que o Mercosul tem uma característica muito diferente da Aliança do Pacífico, a qual é uma aliança econômica; o Mercosul, além de ser uma aliança econômica, é uma aliança política, que ocorre não somente pela reunião de seus presidentes, mas pela existência de um parlamento, o Parlasul. Essa diferença qualitativa coloca o Mercosul em outro patamar de integração, pois só uma integração política democrática pode conduzir a uma integração econômica profunda, como a criação de uma moeda única, a exemplo do processo que levou à criação do euro na União Europeia.

O Parlamento do Mercosul (Parlasul), localizado em Montevidéu, capital do Uruguai, terá a partir deste ano de 2015 uma proporcionalidade atenuada, tendo o Brasil 75 parlamentares, a Argentina 43, a Venezuela 33, o Paraguai 18 e o Uruguai 18. Até o momento, Argentina e Paraguai estabeleceram a eleição direta da população para os parlamentares, sendo que o prazo para que todos os países institucionalizem as eleições diretas é 2020. Assim, em apenas alguns anos, todos os eleitores do Mercosul estarão escolhendo seus representantes no Parlasul. Em vista disso, cabe a pergunta do título deste artigo, afinal, alguém já viu um parlamento relevante, moderno e democrático sem partidos políticos?

E por que um Partido Progressista do Mercosul? Em primeiro lugar, porque é essencial organizar a atuação política dos cidadãos do Mercosul através de seus interesses comuns, mesmo essas pessoas tendo nascido na Argentina, no Brasil, no Paraguai, no Uruguai ou na Venezuela. A proximidade de visão de mundo não necessariamente coincide com as pessoas terem nascido em uma dessas regiões (ou países, por enquanto). Em segundo lugar, enquanto a identificação dos parlamentares for muito mais por país do que por partido, será muito mais difícil evoluir rumo a uma maior proporcionalidade do número de parlamentares em relação à população dos países, o que prejudica a qualidade da democracia no Parlasul, uma vez que o princípio de “um voto por pessoa” é básico na democracia. Uma organização do Parlasul por partidos e não por países daria às populações dos países menos populosos a segurança de que a população dos países mais populosos não poderia simplesmente formar uma maioria, já que seria a composição por partidos, perpassando todos os países, que formaria a maioria.

Estou consciente de que o parágrafo anterior respondeu mais a questão de por que criar partidos no Mercosul do que por que o partido proposto teria esse nome. Considero que o espectro político mais influente hoje em dia, no mundo, é o espectro progressismo-conservadorismo. É verdade que para muito(a)s, progressismo e esquerda são conceitos muito semelhantes, assim como conservadorismo e direita. Entretanto, creio que a análise histórica e a prática política indicam que os espectros progressismo-conservadorismo e esquerda-direita não coincidem. Nas últimas décadas, muitas vozes defenderam a ideia de que esquerda e direita não existem mais. Essa impressão (com a qual não concordo) foi causada especialmente pelo grande aumento na dificuldade de definir quem era de esquerda e de direita, até porque uma infinidade de pessoas e grupos políticos mudaram de posição nesse espectro em um curto espaço de tempo, sem muitas vezes nem concordarem que haviam mudado. Essa contradição pode diminuir se considerarmos não só em que ponto do espectro esquerda-direita essas pessoas e grupos políticos estavam, mas também em que ponto do espectro progressismo-conservadorismo estavam. Se levarmos isso em conta, veremos que o espectro progressismo-conservadorismo explica melhor os comportamentos políticos que o espectro esquerda-direita.

Independentemente dessa avaliação, o termo “progressista” tem a capacidade de transmitir uma mensagem fundamental sobre o posicionamento desse partido em face dos desafios que a realidade coloca para os cidadãos do Mercosul. Inclusive, talvez um desses desafios seja mudar o nome dessa união política e econômica de “Mercosul” para algo que não represente somente a união de mercados, incluindo a união política. Nesse sentido, o mais realista talvez fosse esperar que o Mercosul se expandisse até que seus integrantes plenos coincidissem com os da Unasul, que sendo América do Sul, como país seria uma das grandes potências do século XXI, junto com Estados Unidos, Europa e China, por exemplo. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Creemos el Partido Progresista del Mercosur

En 2015 entra en vigor la proporcionalidad atenuada en el Parlamento del Mercosur, con Brasil con 75 asientos, Argentina con 43, Venezuela con 33, Paraguay con 18 y Uruguay con 18, impulsando la integración política rumbo a este nuevo país que está naciendo, poco a poco, por las manos de la democracia; Argentina y Paraguay ya tienen elección directa de parlamentarios, siendo que hasta 2020 todos los integrantes deben tener elecciones directas

Fuente: Nasa

Fuente: Nasa

En los últimos años, con la formación de la Alianza del Pacífico, la expansión y la consolidación del Mercosur fueron puestas en duda, dando la impresión de que los dos bloques de alguna forma competirían entre sí. El gran problema de este tipo de evaluación es que no tiene en cuenta que el Mercosur tiene una característica muy distinta de la Alianza del Pacífico (que es una alianza económica); el Mercosur, además de ser una alianza económica, es una alianza política, que ocurre no sólo por la reunión de sus presidentes, sino también por la existencia de un parlamento, el Parlasur. Esta diferencia cualitativa pone al Mercosul en otro nivel de integración, pues sólo una integración política democrática puede llevar a una integración económica profunda, como la creación de una moneda única, a ejemplo del proceso que llevó a la creación del euro en la Unión Europea.

El Parlamento del Mercosur (Parlasur), que se localiza en Montevideo, capital de Uruguay, tendrá a partir de este año de 2015 una proporcionalidad atenuada, teniendo Brasil 75 parlamentarios, Argentina 43, Venezuela 33, Paraguay 18 y Uruguay 18. Hasta el momento, Argentina y Paraguay establecieron la elección directa de la población para los parlamentarios, siendo que el plazo para que todos los países institucionalicen las elecciones directas es 2020. De esta forma, en sólo algunos años, todos los electores del Mercosur eligirán a sus representantes en el Parlasur. Por eso hago la propuesta del título de este artículo. ¿Alguien ya vio un parlamento relevante, moderno y democrático sin partidos políticos?

¿Y por qué un Partido Progresista del Mercosur? Primero, porque es esencial organizar la actuación política de la población del Mercosur a través de sus intereses comunes, aunque las personas hayan nacido en Argentina, Brasil, Paraguay, Uruguay o Venezuela. La proximidad de visión de mundo no necesariamente coincide con que las personas hayan nacido en una de estas regiones (o países, por ahora). Segundo, porque mientras la identificación de los parlamentarios sea mucho más por país que por partido, será mucho más difícil evolucionar rumbo a una mayor proporcionalidad del número de parlamentarios con relación a la población de los países, lo que perjudica la calidad de la democracia en el Parlasur, pues el principio de “un voto por persona” es básico en la democracia. Una organización del Parlasur por partidos y no por países daría a las poblaciones de los países menos populosos la seguridad de que la población de los países más populosos no podría simplemente formar una mayoría, ya que sería la composición por partidos, pasando por todos los países, que formaría la mayoría.

Estoy consciente de que el párrafo anterior respondió más a la cuestión de por qué crear partidos en el Mercosur que por qué el partido propuesto tendría este nombre. Considero que el espectro político más influyente hoy día, en el mundo, es el espectro progresismo-conservadurismo. Es verdad que para mucho(a)s, progresismo e izquierda son conceptos muy semejantes, igual que conservadurismo y derecha. Sin embargo, creo que el análisis histórico y la práctica política indican que los espectros progresismo-conservadurismo e izquierda-derecha no coinciden. En las últimas décadas, muchas voces defendieron la idea de que izquierda y derecha no existen más. Esta impresión (con la que no concuerdo) fue causada especialmente por el gran aumento en la dificultad en definir quien era de izquierda y de derecha, incluso porque muchas personas y grupos políticos cambiaron de posición en este espectro en un corto espacio de tiempo, sin que muchas veces ni siquiera concordaran con que habían cambiado. Esta contradicción puede disminuir si consideramos no sólo en qué punto del espectro izquierda-derecha estas personas y grupos políticos estaban, sino también en qué punto del espectro progresismo-conservadurismo estaban. Si tenemos esto en cuenta, veremos que el espectro progresismo-conservadurismo explica mejor los comportamientos políticos que el espectro izquierda-derecha.

Independientemente de esta evaluación, el término “progresista” tiene la capacidad de transmitir un mensaje fundamental sobre el posicionamiento de este partido frente a los desafíos que la realidad le presenta a la población del Mercosur. Incluso, talvez uno de estos desafíos sea cambiar el nombre de esta unión política y económica de “Mercosur” a algo que no represente solamente la unión de mercados, incluyendo la unión política. En este sentido, lo más realista talvez sea esperar a que el Mercosur se expanda hasta que sus integrantes plenos coincidan con los de la Unasur, que siendo Sudamérica, como país sería una de las grandes potencias del siglo XXI, junto con Estados Unidos, Europa y China, por ejemplo. Haga clic aquí para volverse un colaborador financiero del culturapolitica.info.