Arquivo mensais:julho 2015

Progressismo brasileiro, onde estiver, levante-se!

O progressismo que está em todos os lugares – pessoas, partidos, meios de comunicação, sindicatos, empresariado, funcionalismo estatal, forças armadas, judiciário, legislativo, executivo, ONGs, movimentos sociais – deve se levantar e projetar luz nas trevas, verdade na falsidade, vida na destruição – para continuar a Revolução Brasileira iniciada em 2003

Ilustração de "Os Miseráveis", um símbolo progressista

Ilustração de “Os Miseráveis”, um símbolo progressista

É verdade que o momento político das eleições de 2014 foi um certo mau-humor com o governo progressista em vigor desde 2003 no Brasil, especialmente com o partido que vem encabeçando estes governos, o Partido dos Trabalhadores. Entretanto, também é verdade que o que se seguiu à eleição, com várias manifestações de rua em que muitxs pediam a volta de uma ditadura militar, além da eleição de um presidente da Câmara de Deputados notadamente conservador, e a de tentativa de setores que perderam as eleições de 2014 de chegar ao poder por qualquer outro meio, acabou assustando grande parte da população, que está percebendo cada vez mais que por mais que as forças progressistas tenham seus defeitos, a volta do conservadorismo ao poder só agravaria os problemas. Assim, após a onda conservadora, é hora da onda progressista. Como? Com um progressismo renovado. Renovado como? Em uma Frente Progressista.

Apesar de alguns partidos serem mais progressistas que outros, o progressismo está em todos os partidos políticos, assim como em todas as instituições e todas as pessoas, em diferentes proporções. Assim, a Frente Progressista não precisa incluir somente partidos, mas também todxs que se identificarem com o progresso do país rumo a acabar com a pobreza (porque com a fome já acabamos) e virar um país de classe média, já que países ricos não existem (pois um país não pode ser rico se seu povo é de classe média, como o da França, da Alemanha e do Japão, por exemplo).

O Brasil vem caminhando para se tornar um país de classe média a passos largos desde o início da Revolução Brasileira, iniciada em 2003. Quem tiver dúvidas sobre se é mesmo uma revolução, basta ver a evolução da pirâmide sócio-econômica brasileira desde 2003. Não é um período de ajuste como este de 2015 que vai deter este avanço histórico, desde que as forças progressistas continuem no governo federal pelo tempo que povo brasileiro quiser.

As tentativas desesperadas do conservadorismo de voltar ao poder de qualquer jeito estão claramente começando a sair do controle do conservadorismo. A estratégia da presidenta Dilma de não aceitar pagar o preço que no momento da eleição de 2015 para a presidência da Câmara de Deputados teria que pagar para que o resultado tivesse sido diferente do que foi, parece estar surtindo efeito. O conservadorismo veio à tona e o povo não gostou. Agora, a onda progressista vem aí. E não somente vinda do PT, pois ela é muito maior que o PT: a onda progressista vem de dentro de todos os partidos, instituições, empresas, pessoas, entidades, ONGs, blogues, comediantes, jogadores de futebol, juízes. A onda progressista é o novo momento político que se aproxima vindo de dentro de nós. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Grupo Brasil: PSOL, vamos com a gente?

O Grupo Brasil junta movimentos populares e partidos políticos progressistas para constituir uma nova maioria democrática, mas sem o PSOL essa frente perderia um importante componente, já que o PSOL representa uma visão política de considerável representividade dentro do progressismo brasileiro

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Todos conhecemos uma infinidade de pessoas que simpatizam com o PT e o PSOL, simultaneamente. Essas pessoas não ficam presas à rivalidade tão obviamente contraproducente que vemos por aí em muitos discursos públicos. Talvez o eleitorado progressista que queira a colaboração entre as duas siglas possa finalmente dizer em alto e bom som que essa cisão no progressismo brasileiro só vai facilitar a volta do conservadorismo ao poder. A chance para essa interação é a formação do Grupo Brasil, que além de uma série de movimentos sociais de massa, conta com o PT e o PCdoB. Só falta o PSOL. Vamos lá!

A cisão do progressismo, como essa entre PT e PSOL, já causou uma série de desastres eleitorais na Europa, como por exemplo na Alemanha, na Espanha e em Portugal. O Brasil caminha para isso, e por isso é preciso aprender com a história e fazer o possível para reunificar o progressismo brasileiro. É verdade que o nascimento do PSOL foi influenciado pela expulsão de alguns parlamentares do PT, em 2003, decisão incorreta tomada pelo PT na época, e que isso é um componente que dificulta a aproximação agora. Mas as dificuldades para essa interação também têm um forte componente de diferença de visão política. Por isso, não é necessário que os dois partidos se fundam, mas que pelo menos consigam dialogar para, quando for preciso, juntar forças. E o Grupo Brasil é uma chance de se fazer esse diálogo, junto com o PCdoB e muitos movimentos sociais progressistas.

No dia 27 de junho passado houve uma reunião do Grupo Brasil em São Paulo, tendo sido marcada outra reunião para o dia 25 de julho. A iniciativa é importante porque após a eleições de 2014, explicitou-se o conservadorismo mais atrasado no Brasil, que deixou claro para todo mundo que estava de mau-humor com o PT que existe, sim, algo muito pior que o PT e que está pronto para substituí-lo na liderança do governo federal. Esse movimento, que deseja até mesmo um golpe de estado militar, como o de 1964, vem assustando o progressismo brasileiro. Por isso é importante o PSOL vir com a gente. Vamos dialogar, vamos até brigar, mas sem perder a noção de que na democracia as decisões se tomam por maioria, e isso vale também para as eleições. Perder eleições para marcar posição é uma tática discutível. Quando o conservadorismo vence as eleições, como há décadas ocorre no estado de São Paulo, nenhuma força progressista se beneficia.

Como vai se organizar o Grupo Brasil? Não sei. Mas é essencial que haja gente, muita gente. É no calor dos debates que surgem as formas de organização. Será que é algo que vai estar acima dos partidos? Será que é algo que vai formar um novo partido? Será que é um movimento social de massa? Seja lá o que for, os partidos políticos progressistas não podem ficar de fora, porque a democracia sem partidos é algo que, se algum dia existir, ainda precisa ser construído. Hoje, precisamos do PT, do PSOL e do PCdoB juntos liderando o progressismo brasileiro. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Por que “Frente Progressista” e não “Frente de Esquerda”

A partir da decisão de alguns partidos políticos de não mais utilizar doações em dinheiro de pessoas jurídicas, pode estar surgindo uma nova etapa da política brasileira, ao se possibilitar uma frente formada, por exemplo, por PT, PCdoB e PSOL; quanto ao nome que esta frente teria, há diferenças importantes entre se chamar “Progressista” ou “de Esquerda”

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O progressismo brasileiro chegou a uma encruzilhada histórica. O modelo de financiamento dos partidos através de doações de pessoas jurídicas tem uma resistência tal da sociedade brasileira que levará a crescentes derrotas eleitorais do progressismo, se este não mudar sua forma de financiamento. Nesse contexto, estão de fato surgindo movimentos nos partidos mais progressistas do país no sentido de se financiarem sem doação de dinheiro de pessoas jurídicas, focando nas doações de pessoas físicas. Nesse sentido, é possível que PT, PCdoB e PSOL venham nos próximos anos a estar nessa situação, o que possibilitaria a criação de uma frente política entre estes partidos para manter a maioria progressista especialmente nas eleições presidenciais, pois mesmo tendo o progressismo vencido quatro eleições presidenciais seguidas, ainda está muito longe de alcançar o tempo em que o conservadorismo predominou anteriormente na política brasileira, entre 1964 e 2002 (ao todo 38 anos).

Quanto a essa possível frente entre PT, PCdoB e PSOL, também ouve-se a proposta de que se chame “Frente de Esquerda”. Haveria também outras opções, como “Frente Popular”, por exemplo. Afinal, qual seria o nome mais adequado para essa frente? E por que o nome é importante? Porque o nome passa uma mensagem profunda à sociedade sobre a natureza da frente. Assim, dada a história das expressões “progressista” e “de esquerda”, não dá na mesma usar uma ou outra. O termo “popular” seria mais neutro, apesar de dever essa neutralidade muito a uma perda de especificidade no espectro político, já que “popular” é um termo caro também a influentes partidos conservadores do mundo, como o Partido Popular da Espanha e o Partido Popular Europeu. Mas qual seria então a diferença entre “Frente Progressista” e “Frente de Esquerda”?

Para esclarecer essa questão, é preciso obviamente saber se há diferença, e qual diferença haveria, entre “progressismo” e “esquerda”. A observação do uso histórico e atual do termo “esquerda” indica que ele vem sendo usado em dois sentidos diferentes, sendo que essa distinção não costuma ser percebida frequentemente nas análises políticas. Um dos sentidos usados é de fato como sinônimo de “progressismo”. O outro sentido é na ênfase aos interesses coletivos, e não nos interesses individuais. Podemos perceber também que o uso de cada um destes dois sentidos em geral depende do progressismo ou conservadorismo de quem fala. Assim, pessoas mais progressistas tendem a usar mais o primeiro sentido (“esquerda” com um sentido igual ou próximo a “progressismo”), enquanto que pessoas mais conservadoras tendem a usar mais o segundo sentido (“esquerda” como a ênfase nos interesses coletivos, e não nos interesses individuais). Para reforçar a percepção de realidade deste raciocínio, podemos perceber que uma situação análoga ocorre com o uso do termo “direita”. Há dois sentidos para seu uso. Um deles é como um sinônimo de “conservadorismo” (sentido mais usado quanto mais progressista é a pessoa) e o outro sentido é a ênfase nos interesses individuais, e não nos coletivos (sentido mais usado quanto mais conservadora é a pessoa). Assim, para haver maior clareza no discurso, proponho que quando o sentido pretendido para “esquerda” ou “direita” for um sinônimo de “progressismo” ou “conservadorismo”, sejam usados diretamente os termos “progressismo” e “conservadorismo”, deixando os termos “esquerda” e “direita” para o outro sentido dos termos, aquele em que se enfatizam os interesses coletivos sobre os individuais (esquerda) ou os interesses individuais sobre os coletivos (direita).

Dessa forma, o nome “Frente Progressista” seria menos ambíguo que o nome “Frente de Esquerda”. Entretanto, um esclarecimento da diferença entre os termos “progressismo” e “esquerda” não necessariamente leva a que alguém prefira o progressismo à esquerda, ou vice-versa. Essa é uma outra questão. Para analisá-la, é preciso fazer para “progressismo” o que foi feito para “esquerda” no parágrafo anterior, ou seja; se o sentido específico (não ambíguo) de “esquerda” é a ênfase nos interesses coletivos, e não nos interesses individuais, qual é o sentido de “progressimo”? Seria a ênfase na conciliação entre os interesses coletivos e os interesses individuais, sem uma ênfase maior em uns ou em outros. E aí surge outra pergunta interessante. E o conservadorismo, o que seria? Seria o oposto de progressismo, ou seja, a falta de ênfase na conciliação entre os interesses coletivos e interesses individuais. Resumindo: quanto mais progressista se é, mais facilidade se tem para conciliar os interesses coletivos e os individuais. Quanto mais conservador se é, menos facilidade se tem para conciliar os interesses coletivos e os individuais. Se no espectro político progressismo-conservadorismo a pessoa pender para a região mais progressista, ela é progressista. Se enfatizar mais os interesses coletivos ela é progressista de esquerda. Se enfatizar mais os interesses individuais, é progressista de direita. Se houver equilíbrio (equilíbrio, não conciliação) entre os interesses coletivos e individuais, é progressista de centro. Analogamente, os conservadores podem ser conservadores de esquerda, de direita ou de centro. O tema é longo e importante, mas para este artigo, o importante é que fique clara não só a diferença entre progressismo e esquerda mas também o fato de que precisamos nos perguntar lá no fundo o quão interdependentes são os interesses coletivos e os individuais, e portanto, o quanto realmente podemos enfatizar uns ou outros. Quanto menos priorizarmos os interesses coletivos ou os individuais, e sim os conciliarmos, mais progressistas seremos, em uma “Frente Progressista”, quem sabe com PT, PCdoB e PSOL juntos sem financiamento de pessoa jurídica, focando no financiamento por pessoa física. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.