Arquivo mensais:outubro 2015

A estratégia bizarra de atacar a família do Lula

Com o impeachment de Dilma cada vez mais difícil de acontecer, o conservadorismo se volta para atacar Lula, na tentativa de limitar o ciclo progressista a 16 anos, impedindo a vitória do ex-presidente em 2018; a estratégia medieval parece ser atacar sua família primeiro, para preparar o terreno para a prisão dele

Foto: Agência Brasil

Foto: Agência Brasil

Após 38 anos de predomínio do conservadorismo (1964-2002), o progressismo brasileiro caminha para completar 16 anos no governo federal, já que a possibilidade de impeachment de Dilma está cada vez mais difícil de se realizar. Apesar de 2015 ser um ano complicado economicamente, os 13 anos de progressismo revolucionaram a pirâmide das classes sociais, acabando com a fome e colocando o Brasil a meio caminho de se tornar um país de classe média. A perspectiva de Lula se eleger em 2018 elevaria para 20 anos seguidos a permanência do progressismo no governo federal, com possibilidade de reeleição em 2022, o que levaria essa permanência a 24 anos. Neste tempo, o Brasil talvez chegue a ser um país de classe média. Infelizmente, o conservadorismo brasileiro quer que o Brasil continue sendo um país pobre, “pois esse é seu lugar”. Assim, atacar Lula e impedi-lo de ser candidato em 2018 é a estratégia lógica para o conservadorismo neste momento.

Dado que Lula é um dos maiores líderes mundiais da atualidade e caminha para se tornar (se é que já não é) o maior líder político da história do Brasil, a questão de como impedir sua candidatura em 2018 é um desafio para o conservadorismo. Apenas reduzir sua popularidade não parece ser suficiente para impedir sua vitória em 2018. Acusá-lo de algo não bastaria. Tudo indica que a única forma realmente “segura” de impedir sua vitória seria garantir alguma condenação judicial contra ele. Assim, Lula pode acabar na prisão, como já está José Dirceu. Aliás, mesmo sem condenação judicial também é possível que Lula seja preso, como mostra a experiência recente (e nem tão recente).

Então, a questão para o conservadorismo (por incrível que pareça) é: “como prender Lula ou condená-lo judicialmente?” Uma prisão provisória de Lula, se seguida de um habeas corpus, é algo arriscado demais para o conservadorismo. Para não ser desmoralizante para a estratégia anti-Lula, ele teria que permanecer preso por um tempo, para que se forme no inconsciente das pessoas aquela ideia de que “se está preso, é porque deve ter cometido algum crime”. Mas como garantir que o STF não emita rapidamente um habeas corpus a Lula? É aí que entraria a família do Lula. Para o conservadorismo conseguir que Lula seja preso, facilitaria muito que algum de seus familiares, por exemplo, um filho seu, já estivesse preso. Ou seja, imaginem que um filho de Lula, mesmo através de uma prisão provisória, esteja preso por meses. Estará preparado o terreno para uma eventual prisão provisória de Lula, ou pelo menos uma virulenta acusação judicial, com busca e apreensão em sua casa, etc. O conservadorismo precisa, para evitar a candidatura de Lula, de alguma condenação em tribunal colegiado, e depois tentar a todo custo que o STF não reverta essa condenação a tempo dele disputar as eleições presidenciais.

A questão é que se o conservadorismo continuar nesse rumo horroroso, ele pode diminuir de tamanho. Ou seja, muita gente que hoje em dia vota em candidatos conservadores, ou que dá algo de credibilidade a meios de comunicação conservadores, pode parar de fazê-lo. Assim, quem faz parte do conservadorismo pode simplesmente sair do conservadorismo e vir para o progressismo. Hoje em dia, é inegável que o conservadorismo de direita e de esquerda têm como característica marcante o ódio alucinado ao PT. Portanto, para ser progressista, você não precisa ser petista; é só não ser antipetista. Vem com a gente construir um país de classe média, rumo ao futuro! Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

PSOL: entre o progressismo e o conservadorismo de esquerda

O progressismo do PSOL, mesmo tendo diferenças com os partidos progressistas (PT e PCdoB), não evita dialogar com eles nem os odeia, construindo maiorias progressistas nos segundos turnos; o conservadorismo de esquerda do PSOL evita o diálogo com o PT e o PCdoB, tem um discurso de ódio moralista antipetista semelhante ao do conservadorismo de direita e não ajuda a formar uma maioria progressista nos segundos turnos

SETAS

Recentemente, dois ex-candidatos a presidente do PSOL, Heloísa Helena e Randolfe Rodrigues (que foi escolhido pelo PSOL para as eleições de 2014 mas desistiu, abrindo espaço para Luciana Genro), ou seja, pessoas bastante representativas do partido, foram para a Rede, partido liderado por Marina Silva, a qual apoiou abertamente o candidato conservador, Aécio Neves, nas últimas eleições presidenciais. Isso evidencia que o PSOL tem uma certa proximidade com o conservadorismo, mesmo ainda não sendo conservador. Mas como? Um partido de esquerda próximo do conservadorismo? Sim, pois o conservadorismo de esquerda existe, no Brasil e no mundo. E o que é o conservadorismo de esquerda?

O conservadorismo de esquerda é o que costumamos chamar de moralismo. E o conservadorismo de direita é o que costumamos chamar de egoísmo.

Assim, quem observa o PSOL pode ver que os setores moralistas do partido chegam inclusive a usar insistentemente as acusações dos meios de comunicação tradicionalmente conservadores como “evidências” da “imoralidade” do PT. Parece não importar se estes jornais ou redes de TV são alguns dos maiores representantes do país do conservadorismo de direita: se a acusação é contra o PT, “é verdade”. Essa simbiose entre conservadorismo de esquerda e de direita está relacionada a suas naturezas profundas: o moralismo é a tentativa fracassada de reprimir o egoísmo.

Por outro lado, é óbvio que o PSOL tem um importante componente progressista. Quem viu Jean Wyllys apoiando convictamente Dilma Rousseff no segundo turno contra Aécio Neves em 2014 nunca poderia dizer que este deputado federal do PSOL é um conservador de esquerda. Quem viu quatro dos cinco deputados federais do partido eleitos em 2014 apoiarem Dilma nesse segundo turno não pode acreditar que o partido seja conservador de esquerda. Mas essas pessoas também se lembram do quinto deputado federal eleito pelo partido nessa eleição, o Cabo Daciolo, que não apoiou Dilma contra Aécio, sendo que seu conservadorismo de direita era tão evidente que o PSOL o expulsou meses depois. Mas sua expulsão expulsou também o conservadorismo de direita do PSOL? Não é bem assim. De qualquer forma, esse exemplo da Câmara Federal mostra como os representantes democraticamente eleitos do PSOL tendem mais ao progressismo que o restante do partido, cuja cúpula se posicionou quase de forma neutra no segundo turno de 2014, indicando leve preferência por Dilma (“nenhum voto em Aécio”, lembram?).

Essa situação dicotômica do PSOL pode se desenvolver em várias direções, mas uma delas é especialmente perigosa para o progressismo: a aliança do conservadorismo de esquerda existente no PSOL com o conservadorismo de direita de fora do PSOL. Essa aliança conservadora pode acabar acontecendo em torno de Marina Silva, política que atrai tanto o conservadorismo de direita quanto o conservadorismo de esquerda. A ida de Heloísa Helena e Randolfe Rodrigues à Rede é fortíssima indicação de que essa eventual aliança conservadora, centrada na figura de Marina Silva como alternativa a Lula em 2018, pode acabar levando o PSOL a deixar de estar entre o progressismo e o conservadorismo de esquerda, e pular de cabeça no conservadorismo, como já aconteceu com tantas entidades e pessoas vindas do progressismo, como o PSB e a própria Marina. Inclusive, os conceitos de conservadorismo de direita e de esquerda (e sua inter-relação) ajudam a explicar como pessoas “surpreendentemente” passam “da esquerda para a direita”. Não há surpresa se compreendermos que, na verdade, passaram do conservadorismo de esquerda para o conservadorismo de direita. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Rede substituirá PSDB como líder do conservadorismo?

O apoio de Marina Silva a Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais de 2014 e a grande conexão simbólica de Marina com a Rede, como sua principal líder e fundadora, indicam que este novo partido se encaminha para substituir o PSDB na liderança do conservadorismo, liderança esta desgastada por 4 eleições presidenciais seguidas perdidas e sem perspectiva de superar eleitoralmente Lula ou Haddad

A reeleição de Dilma Rousseff levou o progressismo a 16 anos seguidos (se não houver impeachment) no poder no Brasil, com perspectivas claras de continuidade pela possibilidade de candidatura presidencial de Lula em 2018. Já é o ciclo progressista mais longo há muitas décadas no Brasil. De 1950 a 1964 (14 anos), o Brasil também teve um ciclo progressista. Também houve outros solavancos progressistas, mais curtos, como de 1930 a 1937. O que está acontecendo agora não é um solavanco nem um ciclo curto, mas uma permanência de médio e longo prazo do progressismo no poder. Isso mostra que o Brasil passou a outro patamar civilizatório, como comprovam os dados sobre redução da fome, da miséria, da pobreza, da mortalidade infantil e uma infinidade de indicadores sociais. Assim, a política também está passando para uma outra fase. Que fase é essa?

De 1994 a 2014, houve 6 eleições presidenciais, todas polarizadas entre o PT, liderando o progressismo, e o PSDB, liderando o conservadorismo. As 2 primeiras foram vencidas pelo conservadorismo, e as 4 últimas, pelo progressismo. Assim, o conservadorismo brasileiro está fazendo uma rediscussão sobre a eficiência de seu partido líder, o PSDB, quanto à capacidade de conduzir o conservadorismo de volta ao poder. Nesse sentido, se o conservadorismo apostar na continuidade do PSDB como seu partido líder, as perspectivas lhe são desfavoráveis, porque após os 16 anos de progressismo completados com o segundo mandato de Dilma, é muito provável que venham mais 4 anos de mandato de Lula. Se não for proibida a reeleição, é bem provável que sejam 8 anos de mandato para Lula, totalizando 24 anos seguidos de progressismo no Brasil. Sem contar que há um político do PT com um enorme potencial eleitoral administrando a prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Do ponto de vista do conservadorismo, se mantidas eleições democráticas, a perspectiva é desoladora com o PSDB liderando-o. Seja com Alckmin, Serra ou Aécio (ou qualquer outra pessoa do PSDB), a perspectiva de derrota para Lula ou Haddad é alta demais. E o risco para o conservadorismo também é alto demais: 3 décadas de governo progressista, levando o Brasil de ser um país pobre a ser um país de classe média. Esta é a revolução que está acontecendo desde 2003 no Brasil.

Se a liderança do PSDB aponta essa perspectiva desoladora para o conservadorismo, este precisa encontrar um novo partido líder. A Rede, de Marina Silva, se enquadra bastante satisfatoriamente nesta função. Em primeiro lugar, o desempenho eleitoral de Marina Silva foi razoável nas últimas duas eleições presidenciais, ficando em torno de 20% dos votos no primeiro turno. Em segundo lugar, Marina teve uma atitude importantíssima para o conservadorismo no segundo turno das últimas eleições presidenciais que foi apoiar Aécio Neves, o candidato do conservadorismo. Em terceiro lugar, Marina tem um discurso capaz de atrair o conservadorismo tanto de direita quanto de esquerda. A grosso modo, o que o PSDB foi em 1994, a Rede é hoje.

E do lado do progressismo, está havendo também uma reorganização da política? Sim. Já se iniciou um lento processo segundo o qual o PT vai se integrar a uma nova estrutura política progressista, a Frente Brasil Popular (FBP), que vai liderar o progressismo em lugar do PT. Diferentemente do PSDB, que seria derrotado pela Rede (processo natural do conservadorismo), o PT não seria derrotado pela FBP. Pelo contrário, o PT não só a integra como a está ajudando a nascer e se desenvolver, como é o caminho natural das estruturas progressistas, de ajudar as estruturas mais novas e mais modernas a se desenvolverem. Este processo de transferência do PT para a FBP deve durar aproximadamente entre 10 e 20 anos. A maior diferença entre o PT e a FBP é que esta não terá financiamento de pessoas jurídicas, e sim de pessoas físicas, o que está possibilitando que a massa popular e seus movimentos sociais participem dela, assim como se afastaram do PT quando o dinheiro das pessoas jurídicas começou a fluir para o partido.

Existe uma outra frente em formação, chamada Frente Povo sem Medo (FPSM). Com um componente relativamente forte de esquerda, esta frente, em seu manifesto, não utiliza a palavra “democracia”, e sim propõe um método decisório chamado de “método do consenso progressivo”. Objetivar o consenso é uma causa válida, mas a palavra “progressivo” já implica no óbvio, ou seja: não dá para haver consenso total em entidades com muitos participantes, e muito menos em entidades de massa. Dessa forma, o mecanismo democrático, com um voto por pessoa e decisões tomadas por maioria, ainda se faz necessário, mesmo se se busca o consenso. Assim, o manifesto da FPSM aparenta a preferência pelo “método do consenso progressivo” em comparação com o sistema democrático. A história do século XX mostra que também em movimentos com um componente de esquerda maior que o de direita pode haver rejeição à democracia e o apoio a sistemas políticos menos desenvolvidos. Assim, ainda não está claro o quanto o conservadorismo de esquerda é forte na FPSM, mas seu manifesto mostra que é consideravelmente influente dentro dela.

Até que ponto, nesse novo quadro político que está se formando para os próximos anos, a Rede poderá liderar o conservadorismo, e a FPSM poderá ficar no progressismo, é algo ainda um pouco indefinido, que deverá ficar cada vez mais claro. Dentro da Rede haverá uma disputa, como houve no PSDB em 1993 e 1994. Dentro da FPSM também haverá uma disputa, entre a defesa do sistema democrático e a tentativa de sistemas políticos que, tentando ir para a frente, vão para trás na história. Dessa forma, a Frente Brasil Popular (FBP) é a entidade que mais segurança nos dá, hoje em dia, de poder liderar o progressismo brasileiro vitorioso e continuar a Revolução Brasileira iniciada em 2003 por muitos anos, rumo ao futuro. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

O progressismo roda, roda, e volta pro PT/PCdoB

Recentemente, dois ex-candidatos presidenciais do PSOL, Heloísa Helena e Randolfe Rodrigues (que foi escolhido pelo PSOL para as eleições de 2014 e desistiu, abrindo espaço para Luciana Genro), ou seja, políticos bastante representativos do partido, deixaram o PSOL e foram para a Rede, partido liderado e inspirado por Marina Silva, a qual apoiou o candidato do conservadorismo no segundo turno das eleições presidenciais de 2014

PT-PCdoB

O Brasil passa por mudanças estruturais importantes em sua dinâmica política e partidária. Partidos são criados, frentes são lançadas, movimentos sociais surgem, se fortalecem e se lançam à disputa política. Entretanto, há uma estrutura por trás de tudo isso que norteia este processo: o espectro progressismo-conservadorismo. É neste espectro que o jogo de forças se prepara para o sistema de chegada ao poder atualmente em vigor: a democracia. Por mais que as unidades de poder de base não territorial tenham sua influência, a unidade de poder de base territorial (o Estado) ainda tem um poder extraordinário, e a forma de chegar ao poder no Estado brasileiro são as eleições de sufrágio universal, com um voto por cabeça e decisões por maioria. E quem disputa as eleições no Brasil, hoje, são os partidos políticos e seus candidatos, pois não são permitidas candidaturas sem partido.

Assim, por mais que meios de comunicação, movimentos sociais, empresariado e outras forças tenham influência, durante o processo eleitoral essa influência é canalizada para os partidos políticos e seus candidatos. Por isso, para compreender mais profundamente os movimentos políticos no Brasil, é preciso correlacionar a estrutura do espectro progressismo-conservadorismo com o quadro partidário brasileiro. Sem isso, não há como se orientar adequadamente no processo eleitoral e na disputa do poder no Estado. E quanto ao processo eleitoral, ele não acontece só no dia da eleição, a cada dois anos, ou mesmo durante a campanha eleitoral. O processo eleitoral é contínuo, na cabeça das pessoas, nos meios de comunicação, no interior dos partidos e em todos os lugares onde se discute política, seja no bar, seja no trabalho ou em qualquer lugar.

Quais seriam então os partidos mais progressistas do Brasil com um mínimo de representação popular? Nas primeiras décadas a partir da redemocratização, a resposta “PT e PCdoB”, como o claro núcleo do progressismo brasileiro, esteve na ponta da língua. De alguns anos pra cá, porém, outro partido, o PSOL, passou a se perfilar como mais um representante do progressismo mais avançado do país. Na verdade, a intenção do PSOL foi mais além, tentando retirar do núcleo do progressismo o PT e o PCdoB para substituí-los nessa região do espectro político. O tempo está mostrando que o PSOL não é adequado para isso. Primeiro, porque o maior erro político do PT e do PCdoB, que foi especialmente a partir da década de 2000 aceitar dinheiro de pessoas jurídicas para financiar suas campanhas, também foi cometido pelo PSOL. Segundo, porque o PSOL não mostrou consistência ideológica mais progressista que o PT e o PCdoB, e uma forte evidência disso é que dois de seus ex-candidatos presidenciais, Heloísa Helena e Randolfe Rodrigues (que foi escolhido pelo PSOL para as eleições de 2014 mas desistiu, abrindo espaço para Luciana Genro), ou seja, políticos bastante representativos do partido, acabaram de ir para a Rede, partido liderado e inspirado por Marina Silva, que apoiou o candidato do conservadorismo, Aécio Neves, nas eleições presidenciais de 2014.

Evidentemente, o PSOL é um partido com um forte componente progressista. Mas o ódio ao PT compromete continuamente este componente, ajudando a ocultar o componente conservador do PSOL, que cada vez mais vem à luz. Outros partidos do Brasil também têm um componente progressista, em maior ou menor medida, como o PDT, o PSB e a própria Rede. A rigor, todo partido tem um componente progressista, por menor que seja. Mas existem partidos que concentram as ideias progressistas, as quais têm clara predominância dentro desses partidos. Hoje em dia, os partidos com os quais o progressismo brasileiro pode contar são o PT e o PCdoB. O PSOL também seria um deles, se não odiasse virulentamente o PT, abrindo caminho em si mesmo para o conservadorismo oculto. Nos outros partidos, as ideias progressistas têm mais dificuldades de se fazer valer, em uns mais, em outros menos.

Por que o PT e o PCdoB mantêm através das décadas essa característica? O PT tem duas coisas que nenhum outro partido expressivo no Brasil tem: eleições internas diretas para seus dirigentes e candidatos, e o maior líder popular da história do Brasil, Lula. O PCdoB tem, para se proteger ideologicamente, a sua hierarquia, mas isso tem um custo para o partido, que é a restrição ao seu crescimento. Entretanto, é um preço que o PCdoB aceita pagar, e lhe permite ser um importante representante do progressismo brasileiro. Agora se abre uma nova fase na política brasileira, pois com a multiplicação de partidos, a formação de frentes é praticamente inevitável. PT e PCdoB já deram um importantíssimo passo nesse sentido, a formação da Frente Brasil Popular (FBP), que fará um ato nacional neste sábado (03/10) em todo o Brasil em defesa da democracia, dos direitos do povo brasileiro sobre o petróleo em seu território e por mudanças na política econômica. Essa frente, que também é integrada por uma série de movimentos sociais, como MST, CUT e UNE, na estrutura do espectro progressismo-conservadorismo, se coloca para ser uma força claramente progressista no panorama nacional, preparando-se para os processos políticos que virão nos próximos meses, anos e décadas. Porque os partidos vêm e vão, mas o progressismo e conservadorismo estão sempre aí, procurando os partidos políticos que os representem. E o progressismo, que já esteve firme com o PT e o PCdoB, começou a olhar para os lados na última década. Teve esperanças com o PSOL, mas este ainda não conseguiu superar o infantilismo (ou conservadorismo, dependendo do caso) do ódio ao PT e assim abriu caminho para o conservadorismo em seu interior e em sua prática, que agora está ameaçando o PSOL de fazê-lo perder sua identidade progressista. O progressismo olhou para o lado também para o PSB, de Miguel Arraes, que uma vez assumido por seu neto, Eduardo Campos, iniciou uma caminho gradual no espectro político rumo ao conservadorismo. Com a morte de Eduardo Campos, esse caminho se acelerou, e o partido apoiou o candidato do conservadorismo nas eleições presidenciais de 2014. Outro momento em que o progressismo olhou para o lado foi quando Marina Silva se candidatou a presidente em 2010, não apoiando ninguém no segundo turno e propondo o lançamento de um partido, a Rede. Infelizmente, em 2014, Marina assumiu uma candidatura presidencial que nem ela esperava, em vez de segurar a onda e deixar que uma pessoa tradicional do PSB assumisse a candidatura no lugar de Eduardo Campos, permanecendo ela como vice. Esse seu movimento conservador se confirmou no apoio ao candidato do conservadorismo, Aécio Neves, no segundo turno. Agora, Marina tenta retomar o antigo caminho do progressismo criando a sua Rede. Mas ela vai ter que chegar ao progressismo partindo do conservadorismo, e depois dos episódios de 2014, é difícil que chegue.

Eu gostaria muito que um partido político no Brasil fosse mais progressista que o PT e o PCdoB. Eu gostaria muito que, antes do Judiciário proibir as doações de pessoas jurídicas, um partido político minimamente influente tivesse tomado a iniciativa de não aceitá-las voluntariamente, o que o PT e o PCdoB não fizeram. Mas não houve nenhum partido que fez isso. Eu gostaria muito que um partido político tivesse instituído eleições prévias abertas a todas as pessoas para a escolha de seus candidatos, como PT e PCdoB não fizeram. Mas não houve nenhum partido que fez isso. Ou seja, eu gostaria muito que houvesse partidos mais progressistas no Brasil que PT e PCdoB. Mas a realidade mostra que não há. Portanto, PT e PCdoB e quem mais vier, vamos em frente com a Frente Brasil Popular, rumo ao futuro! Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.