Arquivo mensais:dezembro 2015

Não ao impeachment e sim às prévias abertas presidenciais progressistas para 2018

Colocar Michel Temer no lugar de Dilma não seria uma simples troca de presidente, mas uma troca de um governo progressista por um conservador, uma vez que Temer chegaria ao poder com os votos da parte mais conservadora do parlamento; mas se Dilma ficar até 2018, o que o progressismo tem a oferecer para o futuro próximo? Proponho prévias abertas (a todos @s eleitor@s) para a candidatura progressista a presidente em 2018

Previas

Como sair do atual impasse do progressismo brasileiro? Mas qual é esse impasse? É que tudo indica que a única pessoa que parece ter condições reais de vencer as eleições presidenciais de 2018 pelo progressismo é Lula. E é um mau sinal que o progressismo do país esteja tão dependente de uma pessoa. E se Lula não quiser ser candidato? E se Lula ficar doente? E se surgir qualquer coisa que o impeça de ser candidato? Esse é o impasse: o progressismo tem um pré–candidato fortíssimo, mas o fato de ser seu único pré-candidato claramente viável mostra a fragilidade do progressismo brasileiro. Como sair dessa fragilidade?

Para ter um candidato a presidente competitivo, que não precise necessariamente ser Lula (apesar de poder ser), o progressismo poderia fazer a democracia brasileira dar um salto de qualidade através da organização de prévias abertas em dois turnos para a escolha do candidato presidencial do progressismo para 2018. Neste caso, os partidos mais progressistas do país, como PT, PCdoB, PSOL, PDT, etc. organizariam uma eleição em todo o país em que tod@s @s eleitor@s (ou seja, tod@s @s brasileir@s com título eleitoral) pudessem participar, e cuj@ escolhid@ para a candidatura presidencial fosse apoiad@ por todos os partidos que participassem da prévia. Cada partido poderia apresentar um(a) ou mais candidat@s no primeiro turno, sendo que para o segundo passariam @s dois (ou duas) mais votad@s.

Poderíamos ter uma prévia em que concorreriam, por exemplo, Lula (PT), Jean Wyllys (PSOL), Jandira Feghali (PCdoB), Ciro Gomes (PDT) e outr@s. Já há muitos países com esse tipo de mecanismo, como os EUA (onde o candidato do Partido Democrata é escolhido de uma forma semelhante), a França (onde o atual presidente, François Hollande, foi escolhido assim como candidato do Partido Socialista) e o Chile (onde as coalizões progressistas – antes a Concertación e agora a Nueva Mayoría – escolhem geralmente seus (ou suas) candidat@s presidenciais assim há várias eleições).

Claro que há uma série de dificuldades, inclusive legais, para implementar uma prévia assim. Por isso, para poder se realizar para as eleições de 2018, essa ideia teria que ser discutida desde agora no ambiente progressista, inclusive para que no caso de necessidade de adequação das leis eleitorais em relação às prévias, seja possível modificá-las a tempo. Essas prévias seriam uma forma de unificar o progressismo a partir da base, a partir do povo, a partir dos mecanismos democráticos. Uma prévia organizada pelo partidos progressistas seria um salto de qualidade política que ajudaria o Brasil a completar o processo iniciado em 2003 de passar de ser um país pobre a ser um país de classe média, por fortalecer e renovar o progressismo para que este possa ter mais condições de vencer as eleições presidenciais de 2018. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Ajude a evitar o impeachment, fale com @s deputad@s

Agora mais do que nunca, o diálogo entre @s integrantes da Câmara d@s Deputad@s e a população deve se estreitar, para que sejam o mais representativ@s possível na votação do impeachment, especialmente a última votação, em que será necessário que 172 deputad@s não aprovem o impeachment para que Michel Temer não assuma a presidência encabeçando um governo superconservador, pois representará não o conservadorismo do voto popular, mas o conservadorismo da Câmara d@s Deputad@s

Agora que se aproxima a hora da verdade, ou seja, que é praticamente uma certeza que a votação final sobre o impeachment realmente vai ocorrer nas próximas semanas ou em poucos meses na Câmara d@s Deputad@s, surgem mobilizações de todos os tipos por todo o país: manifestações de rua, manifestos de intelectuais, abaixo-assinados de Internet, posicionamento dos partidos políticos, declarações de artistas, ações jurídicas de entidades e de cidadãos, etc. Entretanto, no frigir dos ovos, quem realmente vai apertar o botão e escolher entre o impeachment da Dilma ou não vão ser @s deputad@s federais. Então, creio ser extremamente importante não negligenciar a opinião d@s deputado@s e a utilidade do diálogo com essas pessoas, que aliás devem estar sendo submetidas a pressões enormes de interesses conservadores. O progressismo é uma força que vem de dentro porque é livre, e tenho convicção de que muit@s deputad@s, se puderem votar livres, não vão votar pelo impeachment.

A escolha do impeachment não é simplesmente entre Dilma e Temer, pois Temer não chegaria à presidência (como chegou à vice-presidência) com a mesma coalizão de Dilma; pelo contrário, chegaria à presidência por uma coalizão não só conservadora, mas superconservadora, especialmente por não ser uma coalizão conservadora avalizada pelo voto popular (como teria sido se Aécio tivesse vencido Dilma), mas avalizada pela Câmara d@s Deputad@s, com toda a deficiência de representatividade que ocorre em uma eleição presidencial indireta e inesperada para grande parte do povo brasileiro, que supunha que quem vencesse o segundo turno de 2014, fosse Dilma ou Aécio, governaria por quatro anos.

Então, você, que prefere que Dilma fique na presidência em vez de Temer, pode tomar uma atitude extremamente útil para defender o progressismo, especialmente se for uma atitude tomada em massa: pegue o telefone, entre no Facebook, mande um e-mail, escreva uma carta, procure pessoalmente, mas dê um jeito de conversar com @s deputad@s que considerar adequado conversar para diálogar com el@s, ouvir suas opiniões e que el@s ouçam as suas. Troque ideias com el@s, e se não conseguir trocar ideias com el@s, pelo menos expresse os melhores argumentos que você conseguir. Claro que há milhões de interesses conservadores afetando @s deputad@s, e el@s vão levá-los em conta, pois fazem parte do mundo real. Mas também vão levar em conta o amor, o afeto, o carinho e o respeito com que forem tratad@s. Vamos falar com el@s! Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

O segredo na Lava-Jato é diferenciar as acusações falsas das verdadeiras

Uma afirmação falsa no meio de muitas verdadeiras pode fazer todas parecerem verdadeiras; assim, na Lava-Jato, acusações sem provas ao PT (como instituição), ao Lula ou à Dilma podem se misturar a acusações com provas de diversos crimes cometidos por outras pessoas (inclusive petistas) e instituições

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As eventuais condenações judiciais chaves para o futuro próximo da política brasileira no âmbito da Lava-Jato (com chances reais de acontecer) parecem ser a do PT (como instituição, não de pessoas do PT), do Lula e da Dilma. Assim, mesmo que empresários, doleiros, operadores, assessores, deputados, senadores, ministros, advogados, etc. sejam presos e condenados, se o PT (como instituição), Dilma ou Lula não forem condenados, não haverá mudanças decisivas na política nacional no curto prazo. Claro que todo crime de grande monta comprovado pelo sistema judicial em um país democrático é um impulso progressista; entretanto, mesmo que empresários, doleiros, operadores, assessores, deputados, senadores, ministros, advogados, etc. tenham crimes comprovados pelo sistema judicial, isso não inclinaria decisivamente a balança eleitoral do futuro próximo em favor do progressismo. Já se o PT (como instituição), Dilma ou Lula forem condenados pela mais alta instância do judiciário, isso inclinará decisivamente a balança eleitoral do futuro próximo em favor do conservadorismo.

Por isso, o segredo para a Lava-Jato levar a condenações por crimes de grande monta provados sem inclinar a balança eleitoral para o conservadorismo através de condenações por crimes não provados, é que as eventuais supostas provas apresentadas sejam atentamente examinadas quanto a sua validade não só pelo judiciário, mas por toda a população brasileira. Isso porque os três poderes da república (o executivo, o legislativo e o judiciário) precisam, para funcionarem adequadamente, de observação popular e periódica avaliação por parte do povo quanto à permanência ou não dos ocupantes de seus altos cargos. No executivo e no legislativo, o povo tem a cada poucos anos a oportunidade de decidir diretamente quem fica e quem sai de seus altos cargos. No judiciário, o povo não tem essa possibilidade direta, sendo que só pode fazê-lo através do executivo e do legislativo, e ainda assim, com regras complexas que dificultam a influência do sistema democrático no judiciário.

Assim, a defesa da democracia, da justiça e do futuro das brasileiras e dos brasileiros passa neste momento por que o povo brasileiro, em cada acusação da Lava-Jato e de outras operações do sistema judicial, deixe de lado impulsos generalizantes e consiga diferenciar as acusações falsas das verdadeiras. Como indica a obra do grande escritor francês Victor Hugo, o caminho do falso para o verdadeiro se mistura ao caminho do mal para o bem, que é o caminho do progresso. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.