Arquivo mensais:abril 2016

A democracia mundial vem em auxílio ao Brasil

O Brasil é importante demais para a democracia mundial para que esta o deixe naufragar, como aconteceu com a Ucrânia, o Egito e a Tailândia nos últimos anos; o conservadorismo da dupla Temer-Cunha terá que encarar o progressismo mundial se quiser arrastar o Brasil para o buraco novamente, como em 1964

Fonte: Nasa

Fonte: Nasa

O complexo de vira-lata está sendo derrotado, e o Brasil se ergue no cenário mundial como um símbolo da luta da democracia mundial para se firmar numa conjuntura global em que muitas importantes democracias caíram nos últimos anos, como a da Ucrânia, do Egito e da Tailândia, sendo estas duas ainda incipientes. O Brasil, com o quinto maior território do mundo, a quinta maior população, uma das maiores economias do planeta, uma potência diplomática, sede dos Jogos Olímpicos de 2016, líder global importante nos acordos ambientais e de integração econômica, pede ajuda à democracia mundial, mostrando que este mundo é um só.

Está claro que as leis brasileiras estão sendo violadas pelo conservadorismo nacional, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, para promover uma eleição presidencial indireta disfarçada de impeachment, sem crime de responsabilidade, que é a única razão possível para se retirar legalmente um(a) presidente(a) do cargo no Brasil. O argumento das operações de crédito é claramente desproporcional, seletivo e uma desculpa para contrariar o voto de 54 milhões de pessoas que deram a vitória democrática a Dilma Rousseff nas eleições presidenciais de 2014.

O Senado brasileiro, que teve apenas 1/3 de renovação na onda conservadora da eleição de 2014, ainda pode manter a democracia brasileira no rumo de levar o Brasil ao desenvolvimento que teria alcançado se não tivesse ocorrido o golpe de 1964. Com maioria simples, o Senado pode manter a presidenta Dilma Rousseff no cargo, sem a ascensão do conservadorismo da dupla Temer-Cunha ao poder. Mesmo se não houver maioria simples para isso no Senado, será possível que Dilma volte à presidência após o julgamento que ocorrerá em até 6 meses no Senado, desde que essa posição seja defendida por mais de 1/3 dos(as) senadores(as). Assim, ainda há chances do Brasil resistir, em nome do progressismo e da democracia mundial. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

Dilma/Lula ou Temer/Cunha?

Chegou a hora dos(as) deputados(as) federais decidirem se o Brasil terá um governo do campo progressista liderado por Dilma e Lula, ou se terá um governo ultraconservador liderado por Temer, que dificilimamente venceria uma eleição presidencial, tendo como vice-presidente Eduardo Cunha

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A argumentação de quem quer o impeachment de Dilma em geral se centra nas críticas à presidenta mas praticamente ignora o assunto de quem assumirá o cargo de presidente caso Dilma seja afastada. Entretanto, só é possível ter uma opinião minimamente coerente sobre a questão se levar-se em conta quem substituiria Dilma, que no caso é Michel Temer, e quem assumiria o lugar atual de Temer, que no caso é Eduardo Cunha. Como conclusão, fica claro que a escolha que os(as) deputados(as) farão no domingo é se governarão Dilma e Lula – respectivamente a primeira e a segunda figura do governo (se o STF permitir que Lula seja ministro da Casa Civil) – ou Temer e Cunha, respectivamente a primeira e a segunda figura de um eventual governo Temer.

Independentemente dos números divulgados sobre as perspectivas da votação, a disputa tem um alto grau de indefinição. A regra definida por Eduardo Cunha e aceita pela maioria dos(as) ministros(as) do STF sobre a ordem de votação por Estados também pode influenciar favoravelmente ao impeachment. Está bastante claro que o argumento jurídico para pedir o afastamento de Dilma, que são as operações contábeis com os bancos estatais, não só é desproporcional como deveria então ser defendido também para as ações da maioria dos(as) governadores(as) e vários ex-presidentes. Enfim, a questão que move a disputa, no fundo, é política, entre progressismo e conservadorismo. Com a indicação de Lula para a Casa Civil, Dilma terá condições de alcançar resultados bastante positivos no balanço de seus 8 anos de governo. No caso de um governo Temer/Cunha, o conservadorismo mais profundo tomará conta do governo federal, e o Brasil interromperá sua trajetória relativamente rápida para deixar de ser um país pobre e se tornar um país de classe média, nem que seja de classe média baixa. Com Temer/Cunha, esse Brasil de classe média vai ter que esperar mais algumas décadas.

Porém, independentemente do resultado da votação, o progressismo brasileiro tem uma tarefa para as eleições de 2018: realizar primárias abertas em dois turnos para a definição do(a) seu(sua) candidato(a) presidencial. Assim, todos(as) os(as) eleitores(as) do Brasil, filiados ou não a algum partido político, poderiam votar para escolher a candidatura progressista presidencial para 2018. Nesse caso, o PT poderia apresentar um(a) candidato(a), o PCdoB outro(a), o PDT outro(a), quem sabe o PSOL outro(a), e por que não outros partidos também? A política brasileira vai mudar bastante após este domingo, mas o campo progressista tem nas primárias abertas a melhor perspectiva de futuro. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

O tal “impeachment de Temer” parece armadilha para o progressismo

Como o conservadorismo percebeu que propor tirar Dilma para colocar Temer levaria ao fracasso do impeachment de Dilma, por Temer ser alternativa inviável para a opinião pública, resolveu propor tirar Dilma e Temer e realizar novas eleições; isso parece uma armadilha para o progressismo, pois após eventualmente tirar Dilma, o parlamento realmente tiraria Temer? Acho que não.

Reflexão para o jogo de xadrez do impeachment

Reflexão para o jogo de xadrez do impeachment

Em quase qualquer conversa com alguém que é a favor do impeachment de Dilma, se comento que no lugar de Dilma entraria Temer, a pessoa a favor do impeachment chega a uma espécie de beco sem saída: de fato, não é agradável a muitos apoiadores do impeachment de Dilma a ideia do presidente ser Temer. Claro que imediatamente a pessoa não desiste do apoio ao impeachment, inventando algum argumento para seguir apoiando-o, mas nota-se que quando se percebe quem entra no lugar de Dilma, a convicção a favor do impeachment se reduz sensivelmente. A ponto de inviabilizar a substituição de Dilma por Temer na opinião pública brasileira.

O conservadorismo brasileiro percebeu isso. Percebeu que sua tentativa desesperada de tirar o progressismo da presidência sem eleições gerais (ou seja, sem ter que derrotar eleitoralmente Lula) estava fracassando, e decidiu agir. E a ação parece consistir em ventilar a ideia de que após o eventual impeachment de Dilma, poderia haver o tal “impeachment de Temer”. O mais bizarro desta tática conservadora é que a ideia seria uma “armadilha”, ou seja, não haveria esse posterior impeachment de Temer. A ideia seria só para que naquela conversa com alguém que apoia o impeachment, quando se comentasse que no lugar de Dilma entraria Temer, a pessoa possa dizer, triunfante: “Bom, aí depois a gente tira o Temer também”. Só que o parlamento não necessariamente fará isso. Aliás, muito provavelmente não fará, deixando Temer lá até 2018.

Essa proposta de tirar Dilma com a promessa de tentar tirar Temer depois e fazer novas eleições pode ser até usada para convencer alguns setores políticos que ficam envergonhados de explicitamente colocar Temer no governo a votarem a favor do impeachment de Dilma. Claro que se depois Temer não sofrer o impeachment, esses setores que apoiaram o impeachment de Dilma vão poder dizer: “nós queríamos tirar o Temer também, mas o parlamento não quis, etc.”. E assim, dando um olé na opinião pública, o conservadorismo conseguiria arrancar o impeachment de Dilma com os votos de apoiadores de um teórico futuro impeachment de Temer.

Se por ventura alguém achar realisticamente possível que o parlamento tire Temer depois de eventualmente tirar Dilma, pode pensar da seguinte forma: após conseguir, depois de quase 14 anos, tirar o progressismo da presidência e colocar um presidente conservador, com uma coalizão conservadora, com poder garantido por mais de dois anos e meio, você acha que o conservadorismo vai simplesmente arriscar isso em novas eleições? Não. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.