Houve exageros, mas vitória de Aécio puniria principalmente o povo

É verdade que o campo de apoio a Dilma, inclusive a própria presidenta, exageraram nas críticas a Marina, mas a punição não pode recair sobre o povo em geral com um governo Aécio, que reduziria menos a pobreza e a miséria que um segundo governo Dilma

Em uma eleição presidencial há muita coisa em jogo, e as pessoas são expostas a tensões fortíssimas, pelas enormes consequências que a eleição terá para milhões de pessoas. Imaginem então a que pressões psicológicas são expostas as pessoas que lideram as candidaturas com mais chances de vitória, inclusive as candidatas e candidatos? Mesmo as pessoas que não são próximas aos partidos e às candidaturas mas que se importam muito com o resultado da eleição ficam nervosas, por todo o país, o que é óbvio nas redes sociais. Por isso, apesar de toda essa tensão, creio que temos que ter um pensamento para nos guiar nos momentos de maior tensão que é pensar em qual é a consequência para o povo brasileiro, para as cerca de 200 milhões de brasileiras e brasileiros, das ações que tomamos.

Vou tentar ser bem direto no que quero expressar. Por mais que o campo de apoio a Dilma tenha ficado muito nervoso com a possibilidade de Marina passar ao segundo turno e vencer Dilma, e por mais que essa parte do espectro político brasileiro, inclusive a presidenta Dilma, tenha exagerado nas críticas e na avaliação negativa do significado da candidatura de Marina, uma reação exagerada a isso por parte do campo de apoio de Marina e de suas lideranças pode levar a que quem seja principalmente punido seja o povo. O ritmo de redução da miséria e da pobreza tanto nos governos Lula quanto no governo Dilma foram muito superiores ao ritmo de redução da miséria e da pobreza no governo liderado pelo PSDB, na presidência de Fernando Henrique de 1995 a 2002, sendo que nessa coalizão de Fernando Henrique, Aécio era elemento muito influente, sendo inclusive presidente da Câmara de Deputados nos anos finais do mandato de Fernando Henrique.

Creio que, por isso, para que a razoabilidade possa ser reforçada neste momento eleitoral, o que é difícil pelas altas tensões em jogo, o campo de apoio a Dilma, e a própria presidenta, poderiam reconhecer publicamente os excessos nas críticas a Marina que ocorreram durante o primeiro turno, resguardando, é claro, seu direito de discordância política, até porque o exagero da crítica é uma característica que favorece os setores mais conservadores do espectro político. Eu mesmo, por exemplo, acho que exagerei um pouco nesse sentido. É preciso mostrar a Marina, ao seu entorno político e a suas eleitoras e eleitores que esse exagero foi, de verdade, percebido em geral pelo campo de apoio a Dilma e pela presidenta. Creio que essa atitude permitiria que o campo de apoio a Marina pudesse perceber mais claramente que é o povo, milhões de mulheres e homens deste Brasil, especialmente os mais frágeis, que seriam punidos com a vitória de Aécio e do PSDB, que é a candidatura preferida da grande maioria dos setores mais conservadores do espectro político brasileiro, dos meios de comunicação mais conservadores do país e das forças internacionais mais conservadoras a nível mundial neste segundo turno.

Quero terminar esse artigo, novamente, com um apelo para que todos os lados dessa disputa eleitoral, especialmente o campo de apoio de Dilma Rousseff e a própria presidenta, que teve 41,5% dos votos no primeiro turno, o campo de apoio a Marina e ela própria, que teve 21,3% dos votos e que é uma personalidade importantíssima nesse segundo turno, e por que não, o campo de apoio de Aécio Neves e ele próprio, que teve 33,5% dos votos no primeiro turno, e que é gente como a gente (quem não tem amigos conservadores?), com seus defeitos e suas virtudes, possam pensar no que é melhor para os mais de 200 milhões de seres humanos que vivem no Brasil, e tentar colocar isso como prioridade em relação às relações pessoais, desentendimentos e mesmo injustiças a que tenham sido expostas e expostos. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.