Está na hora do PT 3.0

O PT 1.0 era aquele PT dos anos 80 e 90, sem dinheiro e com campanhas basicamente de militância; o PT 2.0 é o PT dos anos 2000 até este momento, que utiliza doações de empresas para fazer campanha; o PT 3.0 é o PT que não usa doações de empresas, e sim somente de pessoas físicas até um máximo razoável para fazer campanha

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O presidente do PT, Rui Falcão, está defendendo publicamente que o PT deixe de aceitar doações de empresas para futuras campanhas eleitorais. Isso indica que pode não estar longe o dia em que o PT vai colocar isso em prática. Aliás, a hora de fazê-lo é agora, no 5º Congresso do PT, que vai ocorrer em junho em Salvador/BA. Se o PT passar a financiar suas companhas apenas com doações de pessoas físicas, vai ter entrado em uma nova etapa histórica para o partido, dando um salto à frente no quadro partidário brasileiro, como fez quando instituiu o voto direto dos filiados para escolher seus dirigentes e candidatos majoritários, sendo ainda o único partido do país com este tipo de eleição direta.

Essa mudança no sistema de financiamento de campanhas do PT, deixando-se de aceitar doações de empresas, e focando nas doações de pessoas físicas com um máximo razoável corresponde a uma evolução histórica que o partido vem experimentando desde sua fundação, em 1980. Na duas primeiras décadas de existência do PT, do ponto de vista do financiamento de campanhas, o PT era o que se pode chamar de “PT 1.0″: um partido cujo recurso básico para tentar vencer eleições (e não eram muitas as que vencia) era a garra de seus militantes. Nessa época, as doações de empresas eram um tema delicado no partido, que suscitava importantes discussões internas.

Esse processo acabou originando o “PT 2.0″, a partir do início dos anos 2000 até hoje em dia: um partido que aceita doações de empresas para suas campanhas eleitorais, a fim de tentar se equiparar pelo menos um pouco aos partidos mais conservadores em termos de recursos financeiros para fazer campanha. Esse sistema de financiamento esteve em vigor no período em que o partido venceu 4 eleições presidenciais, se enraizou no interior do país e ajudou a revolucionar a vida de dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras, mostrando ao mundo que é possível sim hoje em dia um país deixar de ser pobre para virar um país de classe média. Entretanto, esse modelo se esgotou. Em 2014, o PT decresceu sensivelmente na Câmara dos Deputados, apesar de ainda ser o maior partido dessa casa legislativa. E não é só isso. A população e os militantes do PT já perceberam que as doações das empresas para campanhas acabam limitando consideravelmente o progressismo do partido, até porque os candidatos do PT escolhidos pelas empresas para receberem suas doações nem sempre são os que os militantes, apoiadores e entusiastas mais se identificam. Assim, chegou a hora do “PT 3.0″.

O que seria esse “PT 3.0″? Seria um PT que deixasse de aceitar contribuições de empresas e focasse na contribuição de pessoas físicas com um máximo razoável para suas campanhas eleitorais. Não se está propondo simplesmente uma volta ao “PT 1.0″, mas a instituição de práticas modernas de arrecadação de recursos de pessoas físicas, tornando possível ao partido ter os recursos mínimos necessários para organizar campanhas com chances reais de vitória, recebendo pouco de muitos, e não muito de poucos. As ferramentas da Internet estão aí para ajudar o partido a dar esse salto progressista. Se o PT confiar na ajuda do povo para suas campanhas, o povo não vai fugir da responsabilidade. Coragem PT. Até o presidente do partido, Rui Falcão, empunhou essa bandeira. Falta o partido se levantar no seu 5º Congresso, em junho em Salvador/BA, e dizer sim ao financiamento exclusivo de campanhas por pessoas físicas no PT, independentemente do que o Estado decidir para os outros partidos.

Quem tiver medo de que isso deixe o PT em desvantagem eleitoral pode observar o resultado parlamentar dessas últimas eleições de 2014, e verá que o maior perigo para o PT é manter o seu atual sistema de financiamento de campanhas. A sociedade evoluiu, e está preparada para esse salto de qualidade na política brasileira. Até porque se o PT tomar essa atitude, será que outros partidos também não vão instituir o financiamento exclusivo por pessoa física? Será que o PCdoB não vai fazer isso? E o PSOL? A hora é agora. As condições políticas existem, as condições econômicas existem, e tem um Congresso do PT pululando na nossa frente. A bola está quicando. Só falta chutar. Clique aqui para se tornar um colaborador financeiro do culturapolitica.info.

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